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Anjos e Demônios no WhatsApp

junho 11, 2021

Santo Agostinho, certa feita, escreveu sobre um retiro que realizara. Contou que durante o período de isolamento recebeu a visita de anjos e demônios. Anjos que pareciam demônios e demônios que pareciam anjos. Perguntado sobre como diferenciara um de outro afirmou que tudo era uma questão de sensação. Se, após a visita da entidade, se sentisse leve tinha sido um anjo. Do contrário, sendo um demônio, ao fim da visita se sentia arrasado.

Ainda que isolados, momentaneamente, pela pandemia que assola nosso planeta educandário, isolamento, diga-se de passagem, só físico mesmo, porque nunca, antes, estivemos tão conectados e juntos, temos, na tela de nossos celulares, uma janela para o mundo e somos, frequentemente, “visitados”, assim como foi Santo Agostinho, por suas mensagens nos aplicativos.

Toda mensagem, seja ela de que gênero for, uma simples conversa, uma ligação telefônica, uma psicografia, uma psicofonia, a boa e velha carta ou uma mensagem por SMS e/ou WhatsApp, qualquer uma tem, no mínimo, dois polos. O emissor, aquele que emite a mensagem, e o receptor, aquele que escuta ou a lê.

Mas nós, espíritas, aprendemos e exploramos uma outra conexão com o plano espiritual bem mais antiga que os modernos celulares, porém com um “wifi” bem mais poderoso num intercâmbio mediúnico constante. Uma verdadeira profusão de mensagens e livros sem fim.

Juntando uma coisa na outra, temos no nosso WhatsApp um trânsito imenso de “mensagens psicografadas” com teores diversos, não raro recebemos elas repetidamente de fontes variadas e com assinaturas divergentes, tanto do espírito comunicante quanto do médium.

No plano material, se eu falo com você, sabemos quem é o emissor e quem é o receptor, mas, e no caso destas mensagens? Quem, de fato, escreveu? Era mesmo um médium? Em caso positivo, o espírito autor era o mesmo da assinatura? Supondo-a totalmente legítima será que visava uma divulgação amplificada pelos atuais meios eletrônicos?

Acredito que a maioria de nós que lê este texto seja espírita, seja alguém já consciente de sua responsabilidade e de cada consequência de seus atos. Pergunto: Quando você, no seu WhatsApp recebe “aquela” mensagem psicografada, assinada pelo espírito “Y” pela médium “H” anunciando coisas belas após eventos trágicos que ainda estão por vir, faz o quê?

Eu poderia aqui, a partir desta vírgula, começar um enorme “copia e cola” da obra basilar da nossa amada Doutrina, mas vou só recomendar o, óbvio, Capítulo 21 inteiro do Evangelho – “Haverá Falsos Cristos e Falsos Profetas”, Livro dos Médiuns, em especial Capítulo 27 e item 28 do capítulo 31 e olha que tem muito mais, mas, justamente do Evangelho me socorrerei da citação “ Meus bem ­amados, não creias em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”. (JOÃO, Epístola 1ª, 4:1).

Todos nós, em momentos difíceis como o que vivemos, adoraríamos receber de um oráculo qualquer uma palavra de consolo ou alívio. Algo que nos tire o peso do peito ou as minhocas da cabeça e é justamente nestas horas que essas mensagens, sabe-se lá de quem ou com qual intenção, fazem nossos celulares apitarem sem parar.

Agora, do já citado capítulo 21 (ESE), vem outro questionamento: Quero, eu também, ser um falso profeta? Que fruto sai de mim? Porque, a partir do momento que eu clico em “encaminhar” essa mensagem para alguém, serei eu, agora, o oráculo de onde saiu aquela mensagem.

Santo Agostinho é um grande colaborador da nossa obra doutrinária então, se mesmo após tanto aprendizado, ainda temos dúvida se devemos levar ou não adiante esse tipo de mensagem, muito humildemente, recomendo que sigamos o seu exemplo lá do início do texto.

Que tipo de sensação essa mensagem me deixou? Que tipo de sensação essa mensagem causará em quem a ler depois que eu enviar? É realmente de um espírito bem-intencionado ou de algum pseudossábio ou embusteiro?

Na dúvida se sua mensagem veio de um “anjo” ou de um “demônio” não seja um replicador ou replicadora do medo ou de uma mensagem falsa.

André Tarifa

 

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://idec.org.br/idec-na-imprensa/quarentena-pode-acelerar-obsolescencia-de-produtos-eletronicos>. Acesso em: 11JUN2021.

André Luis R. Tarifa
André Luis R. Tarifa
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