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A Lei de Destruição

abril 17, 2021

A doutrina espírita, como se sabe, é formada por cinco livros basilares que foram arduamente ordenados por Allan Kardec, dentre eles O Livro dos Espíritos – primeira obra da codificação –, sendo ali trazidos os princípios da imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os encarnados, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o futuro da humanidade.

Essa importantíssima obra é dividida em quatro livros, sendo o terceiro intitulado As Leis Morais. É exatamente aqui que se vai ater o presente exame, ainda que um tanto superficial, mais especificamente nas questões 737 e 738 (segunda parte). E isso em razão do momento desafiador pelo qual a humanidade vem passando desde fins de 2019.

De fato, na questão 737 o mestre de Lyon questiona à plêiade que forma o Espírito de Verdade “com que objetivo Deus atinge a Humanidade por meio de flagelos destruidores”. Embora a palavra flagelo talvez pudesse ser mais bem tomada por calamidades, desastres ou mesmo eventos destruidores, a resposta dos Espíritos Superiores é surpreendente pela sua lucidez: “Para fazê-la avançar mais depressa. Não vos dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, a cada nova existência, um novo grau de perfeição? É preciso ver o fim para lhe apreciar os resultados. Não os julgais senão sob o vosso ponto de vista pessoal e os chamais flagelos por causa do prejuízo que vos ocasionam. Mas esses transtornos são, frequentemente, necessários para fazer alcançar, mais prontamente, uma ordem melhor de coisas, e em alguns anos, o que teria exigido muitos séculos”.

A resposta é admirável pelo brilho com que traz elucidações importantes, como tudo o que é informado pelos Bons Espíritos, além de fazer uma advertência. Mas há que se caminhar devagar no estudo dessa profunda e firme assertiva da Espiritualidade.

Os flagelos, as calamidades, as aflições coletivas, as doenças etc. atingem a humanidade com o objetivo de “fazê-la avançar mais depressa”. Com essa afirmação, os Espíritos querem chamar a atenção para a dor, que tem por alvo promover a regeneração moral dos seres humanos.

Infelizmente, na maioria das vezes se alcança um nível mais elevado de evolução tão-somente através da dor. E isso não quer dizer que Deus – nosso Pai de infinita justiça, bondade e misericórdia – mostra-se de certa forma insensível ou mesmo cruel. A dor está presente na humanidade exatamente por conta do nosso ainda baixo nível moral, da nossa pouca elevação espiritual. E nem se esperava algo diferente num planeta categorizado como de provas e expiações, que abriga espíritos de certa forma endurecidos.

Como apenas são adquiridos aprendizados para as futuras e melhores escolhas através da experienciação, por meio da vivência em todos os sentidos e ocasiões, é necessário passar pelas diversas situações para adquirir discernimento. E as dores e aflições trazem exatamente essa experiência de que se necessita para a regeneração moral, servem para acelerar o aprendizado. E aqui está novamente presente a bondade de Deus, que faz os seres humanos passarem mais rapidamente pelas provas que as elevarão também mais velozmente.

A incompreensão se faz presente porque ainda não se consegue “… ver o fim para lhe apreciar os resultados”. É necessário alcançar as finalidades, os desígnios de Deus, para se entender o resultado querido por Ele, que sempre será o bem e a evolução das criaturas, rumo à perfeição relativa.

Não se pode esquecer que para construir algo sobre o que existe, é necessário destruir o que há adredemente. Dessa forma, e mais uma vez considerando a bondade e amorosidade divinas, se algo acontece, está efetivamente sob a ciência de Deus, tendo um fim útil e bom, ainda que – diga-se mais uma vez – não se compreenda esse fim.

Se para se atingir um degrau mais alto é necessário passar pelos mais baixos, que isso seja feito da maneira mais ligeira possível. Esse é o escopo precípuo dos flagelos tratados na resposta à questão 737 de O Livro dos Espíritos, dentre eles, a presente pandemia vivenciada em todo o planeta.

Outro importante elucidamento está contido na resposta à segunda parte da pergunta 738 de O Livro dos Espíritos, onde a Espiritualidade diz que “… um século do vosso mundo é um relâmpago na eternidade; portanto, os sofrimentos do que chamais alguns meses ou alguns dias, não são nada; é um ensinamento para vós, e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, eis o mundo real, preexistente e sobrevivente a tudo, são os filhos de Deus e o objeto de toda a sua solicitude. Os corpos não são senão os trajes com os quais eles aparecem no mundo. Nas grandes calamidades que dizimam os homens, é como um exército que, durante a guerra, vê seus trajes usados, rasgados ou perdidos. O general tem mais cuidado com seus soldados do que com suas vestes”.

Fica perceptível nessa resposta que novamente se está a tratar do que é avaliado, numa visão certamente míope, como um sofrimento deveras demorado. No entanto, considerando que a verdadeira vida é a espiritual, que juntamente com o mundo quintessencial é “preexistente e sobrevivente a tudo” (igualmente ao que foi dito na resposta à questão 85 de O Livro dos Espíritos), será possível ter a total percepção do que os Espíritos informaram, no sentido de que (i) os sofrimentos não são perenes, (ii) ocorrem para o bem, para a elevação e evolução dos espíritos, sendo traduzidos como aprendizado e como experiência, (iii) têm duração mínima frente à infinitude da verdadeira vida, e (iv) estão sob a consciência e ciência divinas, sob os desígnio de Deus.

Esses fatos só demonstram o quanto o Senhor da Vida ama as criaturas e as ampara e protege, mesmo diante das fraquezas apresentadas, da nossa patente e ainda um tanto incipiente evolução moral e consciencial.

Diante do que foi visto, entende-se que a Lei de Destruição é uma das normas morais outorgadas pela divindade para a nossa evolução espiritual e para o adiantamento do planeta; que os chamados flagelos têm por objetivo fazer as criaturas avançarem mais depressa rumo à perfeição possível; que as dores pelas quais passamos – dentre elas, a presente pandemia – existem por conta da pequenez do nosso nível moral, da nossa limitada elevação espiritual, mas que servem para a nossa regeneração consciencial, trazendo experiência; e que esses infortúnios não são perenes, durando um período minúsculo frente à infinitude do tempo. Por fim, não nos esqueçamos de que tudo está sob a ciência e consciência de Deus, que é soberanamente justo, bom e misericordioso.

Renato Confolonieri

Nota do editor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://espiritismonapratica.com.br/artigo/a-lei-de-destruicao-segundo-o-espiritismo>. Acesso em: 17ABR21.

Renato Confolonieri
Renato Confolonieri

Atuante no Espiritismo há 20 anos, participou por três anos e meio da entrega de sopa no Grupo Fraterno de Assistência Nossa Casa em São Paulo, articulista no periódico Ação Espírita e Membro de Reuniões Mediúnicas no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, ambos de Marília, interior de SP.

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