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Para todo o sempre…

março 28, 2021

O Espiritismo desembarcou em solo brasileiro na década de 60 do século 19, e algum tempo depois já tomou um baque.

Logo após a virada de Império para República, isto no Brasil no ano de 1889, o Espiritismo teve sua prática criminalizada no Código Penal de 1890.

Na época, assim como hoje, o Espiritismo contava com suas subdivisões: espíritas mais ligados à ciência, outros à religião, alguns curiosos, uma turma mais ortodoxa, aqueles que trabalhavam com mais ênfase nas sessões de cura, enfim, diversos grupos compunham o segmento denominado espírita.

Porém, com a criminalização a partir de 1890, espíritas foram perseguidos e tornava-se, de certa forma, importante a união de todas as subdivisões acima mencionadas para que pudessem enfrentar, juntos, este abacaxi, caso contrário a Doutrina Espírita corria sério risco de não dar certo.

Afinal, havia, sim, um grande inimigo: a criminalização da prática espírita, ora combatida pela medicina dita oficial, ora pelos advogados, ora pelo poder estatal.

Talvez, e alguns historiadores defendem esta ideia, que se inicie bem aí o viés religioso mais acentuado do Espiritismo, posto que no Brasil República a prática religiosa era livre, então, de certo modo, os espíritas daquela época, e dentre eles Bezerra de Menezes, esforçaram-se para que preponderasse o Espiritismo como religião.

Pois bem, o Espiritismo saiu da França, caiu em nossa terra e por mais que se quisesse copiar os conterrâneos de Zidane, as diferenças culturais enormes promoveriam, naturalmente, uma abrasileirada na coisa, o que é algo perfeitamente natural dada a migração de Europa para Brasil.

Entender o processo histórico da época é importante para o espírita situar-se na atualidade e entender as razões pelas quais a doutrina pendeu para um lado e não para o outro.

Por isso, penso ser complicado tecer comentários mais ácidos acerca do chamado Espiritismo religioso se não mergulharmos no nascimento da Doutrina Espírita em solo nacional.

É bem verdade que Kardec não considerava o Espiritismo religião no sentido vulgar que se conhece a palavra, mas sem o conhecimento do que houve realmente na chegada do Espiritismo ao Brasil e todas as discussões do momento, qualquer julgamento mais agudo torna-se impossível.

As críticas, portanto, de que os espíritas se afastaram de Kardec e promoveram uma deturpação dos postulados doutrinários, prejudicando o bom andamento das coisas, causando confusão, podem sofrer uma releitura, de modo a possibilitar fazermos uma crítica desta crítica.

O contexto dita, não raro, o rumo dos acontecimentos e responde com relativo sucesso as indagações do presente, fazendo com que vejamos o passado com os olhos do passado, sem anacronismo.

O Espiritismo foi uma coisa na França, foi e é outra no Brasil e não há mais o que fazer, pois os fatos já foram lavrados no tribunal do tempo.

Se isto é bom ou ruim, sinceramente, não sei…

Mas a literatura de Kardec está aí para ser consultada, revista, estudada…

Ademais, com o foco na melhoria moral impresso desde o início por Kardec, a essência do Espiritismo, com ou sem mudança de pátria já havia sido dada e, penso, é o que fica de mais importante e que nos une para todo o sempre…

Wellington Balbo

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://novaescola.org.br/conteudo/3416/o-rio-de-janeiro-100-anos-atras>. Acesso em: 27MAR2021.

Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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