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Qual o papel do Evangelho em nossa vida?

janeiro 27, 2021

É de fundamental importância para nós, seguidores da filosofia espírita, saber interpretar as lições do evangelho de Jesus de forma correta e aproveitar os momentos adequados para transmiti-las com inteligência, de forma a não nos encarcerarmos nas teologias humanas, para que possam produzir os efeitos benéficos da compreensão no solo da alma em processo de aprendizagem.

Procuremos da melhor forma, exaltar as glórias do Mestre de Nazaré, deixando bem claro que ELE não transitou nos caminhos deste planeta usufruindo de qualquer tipo de facilidade que nós outros não tenhamos tido, e sim, atendendo aos desígnios Superiores enfrentando com disposição e disciplina os obstáculos como qualquer outro servidor sem esmorecer em momento algum mesmo quando testemunhou a completa ignorância das criaturas de sua época muito mais materializadas que as de hoje, incapazes de entender a sublime proposta de sua sublime mensagem.

Importante lembrar sempre dos atributos dos Seres Angélicos, para esclarecer que eles não são inteligências privilegiadas por Deus, e sim, que chegaram a tal patamar de evolução à custa de muito trabalho, suor e lágrimas o que será possível também a qualquer de nós que se dispuser com vontade e coragem ao labor da reforma íntima.

Urge entender, o tanto quanto nos seja possível, que nossa redenção perante as sábias Leis Divinas, é trabalho impostergável ao alcance de qualquer ser humano, à espera da nossa própria disposição de trabalhar na seara do bem, tarefa essa que ninguém está dispensado, na harmonização de sua consciência individual com a consciência cósmica universal, através das etapas reencarnatórias com que Deus nos faculta o resgate de nossos débitos perante Lei de amor e justiça.

Os espíritos Superiores assim se pronunciaram em resposta ao questionamento de Allan Kardec sobre o assunto:

“132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?
Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”

A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na Sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza.

“133. Têm necessidade de encarnação os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem?
Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito.
a) – Mas, então, de que serve aos Espíritos terem seguido o caminho do bem, se isso não os isenta dos sofrimentos da vida corporal?
Chegam mais depressa ao fim. Demais, as aflições da vida são muitas vezes a consequência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos.” (1)

Dessa forma, destaquemos os benefícios da fé, mas não nos esqueçamos de chamar a atenção para o fato de que “a fé sem obras é morta em si mesma” conforme nos esclarece o apóstolo Tiago; (2) que a fé não pode deixar de levar em conta a razão e o bom senso, para que não se transforme em fanatismo pernicioso e prejudicial sob todos os aspectos, e que só a fé raciocinada nos pode dar a exata medida do discernimento que precisamos ter para melhor avaliar os caminhos a percorrer.

Pedimos atenção para a observância de que a elevação moral não se consegue com a deserção da luta enobrecedora que nos cabe travar frente às tentações do mundo em que vivemos, e ante os valores que acalentamos em nosso mundo íntimo, pois, só nos fortalecemos pelas vitórias alcançadas nas batalhas travadas em prol do nosso próprio burilamento.

Não esqueçamos jamais, de que o Espiritismo nos facilita o raciocínio e nos alarga o entendimento para que em palavras e atitudes busquemos vivenciá-lo no auxílio de quantos convivem conosco, no combate ao sofrimento e na prática do dever que nos cabe empreender no desenvolvimento dos tesouros do Espírito Imortal para melhor aproveitar a felicidade relativa que este planeta nos permite desfrutar.

Francisco Rebouças

Referências Bibliográficas:
(1) Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos – FEB 76ª edição.
(2) Epistola de Tiago, Cap. 2 Versículo 17.

Francisco Rebouças
Francisco Rebouças

Pós-Graduado em Administração de Recursos Humanos, Professor, Escritor, Articulista de diversos veículos de divulgação espírita no Brasil, Expositor Espírita, criador do programa: "O Espiritismo Ensina".

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