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Crime Legal

janeiro 10, 2021

Entre os acontecimentos infaustos que assinalaram o ano de 2020, no breve tempo em que se encerravam as narrações das suas desventuras, uma notícia terrivelmente infeliz atingiu-nos a todas criaturas: a Argentina, através do seu Senado, legalizava o aborto até a décima quarta semana de gestação.

A alegria que invadiu o país na madrugada, em que multidão muito volumosa gritava enlouquecida pelas ruas de Buenos Aires – registrada pelas câmaras fotográficas das redes sociais –, sem máscaras nem distância preventiva, numa infernal correria ao prazer, apoiava o crime de morte em detrimento da grandeza da vida.

Aos berros de exaltação do infanticídio sucedeu-se um grande silêncio, e uma nuvem representando a barbárie coletiva desceu sobre o grande país, que a partir de agora se compromete a matar os embriões e fetos humanos até a décima quarta semana.

Neste ritmo em que o conforto da mulher exige a eliminação do filho que não deseja, mas permitiu gerar, quando existem muitos recursos morais e legais que impedem a fecundação, em não distante tempo, pessoas insensíveis legalizarão a eutanásia, matando os pais que deles venham a depender ou simplesmente pessoas idosas, cujas existências pesem na economia ou futilidades da sociedade. Aliás, já tem havido algumas tentativas a esse respeito, que estão aguardando o momento selvagem para o homicídio.

Esquecem-se estes que assim pensam que à juventude sucede a velhice, por mais disfarces estéticos e recursos para a longevidade…

O ato desafiador produzido pelos argentinos assinala a decadência moral deste período cultural e espiritual da humanidade, em que a vida, especialmente a humana, perdeu o significado, voltando aos antiquíssimos padrões da ferocidade e da violência. Os vários milênios de cultura, ética e civilização desaparecem, sucedidos pela brutalidade e paixões ferozes de governantes bárbaros.

Sob todo e qualquer aspecto, é lamentável esse passo, dito legal, na Constituição do país vizinho. No entanto, repetindo Martin Luther King Jr.: “O pior não é o atrevimento dos maus, porém o silêncio dos bons”.

É exatamente o que está acontecendo em relação ao aborto legal e perversamente sempre imoral.

Têm sido poucas as reações de indivíduos e grupamentos religiosos, que tecnicamente respeitam a vida. Sua Santidade, o Papa Francisco, que defende as árvores da Amazônia, está silencioso ante o crime hediondo, desconsiderando o Mandamento “não matarás”, e principalmente aquele que não se pode defender.

Ao vivermos numa sociedade na qual se matam crianças por nascer, apenas por prazer, devemos sentir um grande constrangimento.

Matar é crime nefasto, e tudo devemos realizar para que o amor e suas leis substituam a sua hediondez.

Divaldo Franco

Nota do editor:
Artigo publicado no jornal A Tarde (BAHIA), coluna Opinião, em 7 de janeiro de 2021.
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://veja.abril.com.br/mundo/senado-decide-hoje-legalizacao-do-aborto-na-argentina/>. Acesso em: 10JAN2021.

People demonstrate against abortion in Buenos Aires, on December 28, 2020 as Argentina’s Senate prepares to vote on a bill that would legalize the practice. – The bill, which aims to legalize voluntary abortions at up to 14 weeks, was passed by the Chamber of Deputies on December 11 and will be debated and voted on in the Senate on Tuesday. (Photo by Emiliano Lasalvia / AFP)

Divaldo Pereira Franco
Divaldo Pereira Franco

Divaldo Pereira Franco é natural de Feira de Santana, Bahia, Brasil, reconhecido como um dos maiores médiuns e oradores espíritas da atualidade, fundou, juntamente com seu fiel amigo Nilson de Souza Pereira, o Centro Espírita Caminho da Redenção e a Mansão do Caminho, que atendem a toda a comunidade do bairro de Pau da Lima, em Salvador, beneficiando milhares de doentes e necessitados.

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