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O suicídio e o 5º Mandamento

setembro 12, 2020

Oferecido ao conhecimento da Humanidade há mais de três milênios, o conjunto dos Dez Mandamentos permanece como guia para o homem conduzir-se com relativa segurança no âmbito das sociedades que participa, norteando a sua conduta por excelentes princípios morais e éticos.

Contudo, o alcance destes postulados divinos é limitado; sabemos que há outros, bastando considerar o significado de pecado apresentado pela Doutrina Espírita para dar-se conta desta realidade. Em resumo: os pecados são transgressões a qualquer princípio divino, não se limitando apenas aos atos contrários ao ordenamento divino (fazer), mas também incluindo o deixar de fazer, porquanto quem não faz todo o bem possível, comete igualmente um ato mau; e mais: abrange as palavras e pensamentos distanciados do bem.

Depreende-se deste entendimento estarem os Dez Mandamentos contidos nesta proposta espírita, pois ela alcança inúmeras outras situações e condutas. Nada obstante, para aquela época, a abrangência das propostas de Moisés eram perfeitamente adequadas ao grau de entendimento do povo. Muito ainda havia por ser apresentado, no entanto, a verdade deve ser dita ou revelada de acordo com o grau de compreensão do aprendiz, proporcionalmente à capacidade de percepção do educando.

Um destes Mandamentos, em particular o 5º, recebe dos menos atentos entendimento muito restrito quando consideram a sua literal aplicação, contemplando o “Não matar” apenas o seu semelhante. Interessante observar, porém, que mesmo dentro desta limitada compreensão, muitos já vêm pecando sistematicamente ao aniquilar seus ditos inimigos e desafetos “justificando-se” inclusive por bandeiras religiosas. Um verdadeiro contrassenso.

Um dos aspectos que têm chamado a atenção é que muitos suicidas são religiosos, crentes nas máximas mosaicas; entretanto, não se atêm ao fato de que, ao abreviarem a existência, estão indo de encontro ao 5º Mandamento da Lei de Deus. Como bem esclarece a Doutrina dos Imortais, os suicidas se defrontarão com situações lamentáveis no Além quase inenarráveis, levando tempo para se recuperarem do mal que a si mesmos se impuseram.

Não há nenhuma justificativa plena que possa fundamentar este ato. A possibilidade de ocupar corpos biológicos regularmente, através das reencarnações, é uma dádiva de Deus às suas criaturas, nós os Espíritos Imortais. Pelas muitas existências podemos evoluir moral e intelectualmente para adquirir sabedoria. De posse desta virtude obtida por nossos exclusivos esforços, seremos chamados naturalmente a trabalhar mais próximos a Deus nas muitas tarefas existentes no campo imenso de trabalho oferecido pelo Universo. Desta forma, quanto mais rápido atingirmos esta condição necessária de evolução, tão mais rápido estaremos junto ao Pai, que nos dizeres de Jesus asseverou: “Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho.” (1)

Quando o Espírito interrompe a sua possibilidade de aprendizado, reduzindo o seu tempo de expectativa de vida, previsto antes de seu reingresso na carne, dificulta o andamento de seu processo de evolução; terá, portanto, que recuperar o tempo perdido nas reencarnações futuras, nem sempre nas mesmas condições da vida anterior, atrasando sobremaneira a sua redenção espiritual.

O Espírito obtendo “êxito” neste tentame, cria para si mesmo uma tendência de repetir a conduta em uma próxima existência, caso se encontre de novo em face de conflitos íntimos. Não é incomum que o suicida repita o seu ato em existências futuras, criando uma propensão cada vez mais forte a suicidar-se todas as vezes em que não possa lidar com os novos problemas do cotidiano. É muito preocupante este ciclo; um dos exemplos marcantes desta sequência ocorreu com a médium fluminense Yvonne do Amaral Pereira.

Quando aqui esteve conosco em sua última reencarnação, psicografou vários livros. Os três primeiros descrevem três existências suas, em que, ao final de todas elas, vencida por si mesma, deserta da vida material antes do tempo, pela porta enganosa do suicídio. Estas três obras, romances de raro valor doutrinário, intitulam-se: Nas Voragens do Pecado, O Cavaleiro de Numiers e O drama da Bretanha. São testemunhos oportunos para dissuadir todos os que cogitam do autocídio como “solução” dos seus problemas.

Fortaleçamo-nos, pois, meus amigos, pelo estudo das Leis Divinas; construamos a fortaleza interior capaz de enfrentar as adversidades da vida; edifiquemos a fé verdadeira agindo conforme os princípios de Deus.

Como reflexão, transcrevemos alguns versos da poetisa Francisca Júlia da Silva:

A aflição sem revolta é paz que nos redime.

Não olvideis na cruz redentora e sublime

Que a fuga para a morte é um salto para a treva. (2)

Rogério Miguez

Referências:
(1) BÍBLIA DE JERUSALÉM. Trad. Gilberto da Silva Gorgulhos; et al. 8. Imp. São Paulo Editora, 2012; e
(2) XAVIER, Francisco C. Vozes do Grande Além. Diversos Espíritos. Brasília: FEB, 2013. cap. 18. Lutai!

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://beecorp.com.br/blog/setembro-amarelo-saude-mental/>. Acesso em: 12SET2020.

Rogério Miguez
Rogério Miguez

Trabalhador da Doutrina Espírita desde a Mocidade, tendo atuado no estado de Rio de Janeiro em algumas Casas e, atualmente, em São José dos Campos/SP nos Centros Amor e Caridade, Jacob e Divino Mestre. Colabora em Cursos, Exposições, Atendimento Fraterno e Passes, sendo articulista dos periódicos Reformador e Revista Internacional de Espiritismo.

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