Página InicialTextos EspíritasA Codificação espírita 

110 visualizações

A Codificação espírita 

setembro 1, 2020

A terceira revelação fez-se parcialmente em diversos lugares  

 

Se algum dia, eu disser algo diferente do que disse  

Jesus e Kardec, fique com Eles e abandone-me.” 

                                                       – Emmanuel 

 

Lúcidas coerentes, como sempre, as palavras de Emmanuel em epígrafe foram dirigidas ao médium  Chico Xavier, quando aquele pretendia utilizar-se dos recursos mediúnicos deste para o trabalho de divulgação da Doutrina dos Espíritos através dos livros. 

 

O caminho seguido pelas informações dos Espíritos passou primeiro por dois poderosos filtros chamados Jesus e Kardec, sendo enfeixados em síntese em “O Livro dos Espíritos” e ampliados depois nos livros: “A Gênese”,  “O  Livro dos  Médiuns”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e “O Céu e  o Inferno”, que constituem o Pentateuco doutrinário, indivisível bloco monolítico. 

 

Assim, todo livro subsidiário não poderá deslocar-se da órbita desses livros que são a base do Espiritismo. Assim, quem deseja escrever ou falar sobre Espiritismo, tem necessariamente que se balizar pelos parâmetros básicos, sob pena de caracterizar conteúdos apócrifos pela não observância de tais critérios. 

 

“Espíritas amai-vos; Espíritas instruí-vos”; é a sempre oportuna conclamação do Espírito de Verdade. Instruamo-nos, principalmente nas fontes básicas, o que nos ensejará maiores condições de avaliar e separar o joio do trigo. 

 

No livro “A Gênese”, cap. I, item 52, Kardec faz notar que “em parte alguma, o ensino Espírita foi dado integralmente. Ele diz respeito a tão grande número de observações, a assuntos tão diferentes, exigindo conhecimentos e aptidões mediúnicas, que impossível era acharem-se reunidas num mesmo ponto todas as condições necessárias. Tendo o ensino  que ser coletivo e não individual, os Espíritos dividiram o trabalho, disseminando os assuntos de estudo e observação como, em algumas fábricas, a confecção de cada parte de um mesmo objeto é repartida por diversos operários. 

 

A revelação fez-se, assim, parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediários e é dessa maneira que prossegue ainda, pois nem tudo foi revelado. Cada casa espírita encontra nas outras o complemento do que obtém, e foi o conjunto, a coordenação de todos os ensinos parciais que constituíram o Espiritismo.  

 

Era, pois, necessário grupar os fatos espalhados, para se lhes apreender a correlação, reunir os documentos diversos, as instruções dadas pelos Espíritos sobre todos os pontos e sobre todos os assuntos, para compará-las, analisar, estudar-lhes as analogias e as diferenças. Vindo as comunicações de Espíritos de todas as partes, de todas as ordens, mais ou menos esclarecidos, era preciso apreciar o grau de confiança que a razão permita conceder-lhes, distinguir as ideias sistemáticas individuais ou isoladas das que tinham a sanção do ensino geral dos Espíritos, as utopias das ideias práticas, afastar as que eram notoriamente desmentidas pelos dados da ciência positiva e da lógica, utilizar igualmente os  erros,  as informações  fornecidas pelos Espíritos, mesmo os da  mais baixa categoria,  para  conhecimento  de estado do  mundo  invisível  e formar com isso um todo indivisível. 

 

Era preciso, numa palavra, um centro de elaboração, independente de qualquer ideia preconcebida, de todo prejuízo de seita, resolvido a aceitar a verdade tornada evidente, embora contrária às opiniões pessoais. Este centro se formou por si mesmo, pela força das coisas e sem desígnio premeditado.” 

 

O Espiritismo estará preservado dos cismas? 

 

“Não, certamente,” – responde Kardec no livro “Obras Póstumas” no capítulo referente à constituição do Espiritismo – “(…) porque terá, sobretudo no começo, de lutar contra as ideias pessoais, sempre absolutas, tenazes, refratárias a se amalgamarem com as ideias dos demais; e contra a ambição dos que, a despeito de tudo, se empenham por ligar seus nomes a uma inovação  qualquer;  – dos que criam novidades só para poderem dizer que não pensam e agem como os outros, pois lhes sofre o amor-próprio por ocuparem uma posição secundária. 

 

Se, porém, Espiritismo não puder escapar às fraquezas humanas com as quais se tem de contar sempre, pode, todavia, neutralizar-lhes as consequências e isso é essencial. Seitas poderão formar-se ao lado da Doutrina, seitas que não lhe adotem os princípios ou todos os princípios, porém, não dentro da Doutrina, por efeito da interpretação dos textos, como tantas se formaram sobre o sentido das próprias palavras do Evangelho. É esse um primeiro ponto de capital importância. 

 

O segundo ponto está em não se sair do âmbito das ideias práticas. Se for certo que a utopia da véspera se torna – muitas vezes – a verdade do dia seguinte, deixemos que o dia seguinte realize a utopia da véspera, porém, não atravanquemos a Doutrina de princípios que possam ser considerados quiméricos e fazer que a repilam os homens positivos. 

 

O terceiro ponto, enfim, é inerente ao caráter essencialmente progressivo da Doutrina. Pelo fato de ela não se embalar com sonhos irrealizáveis, não se segue que se imobilize no presente. Apoiada tão-só nas Leis da Natureza, não pode variar mais do que estas leis; mas, se uma nova lei for descoberta, tem ela de se por de acordo com essa lei. Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar. Assimilando todas as ideias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, ela jamais será ultrapassada, constituindo isso uma das principais garantias da sua perpetuidade. 

 

Acrescentamos que a tolerância, fruto da caridade, que constitui a base da Doutrina Espírita, lhe impõe como um dever respeitar todas as crenças. Querendo ser aceita livremente, por convicção e não por constrangimento, proclamando a liberdade de consciência um direito  natural imprescritível, diz: se tenho razão, todos acabarão por pensar como eu; se  estou em erro, acabarei por pensar como os outros. 

 

Em virtude desses princípios, não atirando pedras a ninguém, ela nenhum pretexto dará para represálias e deixará aos dissidentes toda a responsabilidade de suas palavras e seus atos.” 

 

“(…) Não faltarão intrigantes, pseudoespíritas, que queiram elevar-se por orgulho, ambição ou cupidez; outros que estadeiem pretensas revelações com o auxílio das quais procurem salientar-se e fascinar  as  imaginações  por demais crédulas. É também de prever que, sob falsas  aparências, indivíduos haja que tentem apoderar-se do leme,  com a ideia preconcebida de fazerem soçobrar o navio, desviando-o de sua rota. O navio não soçobrará, mas poderia sofrer prejuízos como atrasos que se devem evitar.” 

 

Acreditamos nada ter a acrescentar às palavras de Kardec, por demais claras e judiciosas. Por elas concluímos que verdadeiro Espírita será somente aquele que guardar absoluta e incondicional fidelidade à Codificação Kardequiana. 

 

Rogério Coelho 

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

Deixe aqui seu comentário:

Divulgue seu evento conosco.
É rápido, fácil e totalmente gratuito!

+ Clique e saiba como