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Vencendo a morte 

julho 16, 2020

Deus é justo em todas as coisas

“(…) A morte é mentira infame, 
 forjada pelos escravos do atraso.” 
– Barão de Casablanca (1)

O episódio de uma vida não finda sob o selo de um sepulcro! Encerrado em sua tumba, o homem renasce de suas mesmas cinzas, deslaça as prisões que o enleavam à carne e entra viver de novo, a palpitar, a se agitar, a gozar ou a sofrer…” (1) 

Jesus afirmou (2):aquele que ouve as minhas palavras e as pratica, jamais verá a morte.” 

Segundo Sócrates (3), os homens que viveram sobre a Terra, se reencontram depois da morte e se reconhecem... O Espiritismo no-los mostra continuando as relações que tiveram, de tal sorte que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação, sem solução de continuidade. Esse ínclito filho da Grécia afirmou (2): de duas coisas uma: ou a morte é uma destruição absoluta, ou é passagem da Alma para outro lugar. Se tudo tem de extinguir-se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sono e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Todavia, se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para o lugar onde os mortos se têm de reunir, que felicidade a de encontrarmos lá aqueles a quem conhecemos! O meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa outra morada e de distinguir lá, como aqui, os que são dignos dos que se julgam tais e não o são”. 

Afirma Sanson (espírito) (4): “(…) regozijai-vos ao invés de vos queixardes, quando praz a Deus retirar deste vale de misérias um de Seus filhos. Não será egoístico desejardes que ele aí continuasse para sofrer convosco?  Ah! Essa dor se concebe naquele que carece de fé e que vê na morte a separação eterna.  (…) habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. 

Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem. Tão limitadas, no entanto, são as vossas faculdades, que o conjunto do grande todo não o apreendem os vossos sentidos obtusos.   Esforçai-vos por sair, pelo pensamento, da vossa acanhada esfera e, à medida que vos elevardes diminuirá para vós a importância da vida material que, nesse caso, se vos apresentará como simples incidente, no curso infinito da vossa existência espiritual, única existência verdadeira”. 

Em aditamento aos registros da Codificação Espírita, ensina Joanna de Ângelis (5): “(…) os seres a quem amas e que morreram, não se consumiram na voragem do aniquilamento:  Eles sobreviveram!…   

vida seria um engodo se se destruísse ante o sopro desagregador da morte que passa. Ela se desenvolve em infinitos matizes e incontáveis expressões… A forma se modifica e se estrutura, se agrega e se decompõe passando de uma para outra expressão vibratória sem que a energia que a vitaliza dependa das circunstâncias transitórias em que se exterioriza. Não estão, portanto, mortos, no sentido de destruídos, os que transitaram ao teu lado e se transferiram de domicílio. Prosseguem vivendo aqueles a quem amas. 

Aguarda um pouco, enquanto, orando, a prece te luarize a Alma e os envolvas no rumo por onde seguem... Não te imponhas mentalmente com altas doses de mágoas, com interrogações pressionantes, arrojando na direção deles os petardos vigorosos da tua incontida aflição. 

Esforça-te por encontrar a resignação. O amor vence, quando verdadeiro, qualquer distância e é ponte entre abismos, encurtando caminhos. Da mesma forma que anelas por volver a senti-los, a falar-lhes, a ouvir-lhes, eles também o desejam. Necessitam, porém, evoluir, quanto a ti próprio.   Se te prendes a eles demoradamente ou os encarceras no egoísmo, desejando continuar uma etapa que ora se encerrou não os fruirás, porque estarão na retaguarda.   Libertando-os, eles prosseguirão contigo, preparar-te-ão o reencontro, aguardar-te-ão… 

Faze-te, a teu turno, digno deles, da sua confiança, e unge-te de amor com que enriqueças outras vidas em memória deles, por afeição a eles...  Não penseis mais em termos de “adeus” e, sim, em expressões de “até logo mais”. 

Todos os homens na Terra são chamados a esse testemunho: o da temporária despedida.   Considera, portanto, a imperiosa necessidade de pensar nessa injunção e deixa que a reflexão sobre a “morte” faça parte do teu programa de assuntos mentais, com que te armarás, desde já, para o retorno, ou para enfrentar em paz a partida dos teus amores… 

Quanto àqueles que viste partir, de quem sofres saudades infinitas e impreenchíveis vazios no sentimento, entrega-os a Deus, confiando-os e confiando-te ao Pai, na certeza de que, se souberes abrir a Alma à esperança e à fé, conseguirás senti-los, ouvi-los, deles haurindo a confortadora energia com que te fortalecerás até ao instante da união sem dor, sem sombra, sem separação pelos caminhos do tempo sem fim, no amanhã ditoso”.      

 

Rogério Coelho 

 

Referências: 

  1.  PEREIRA, Yvonne do Amaral.  Nas telas do infinito. 2.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2007, cap. VIII. 
  2.  João, 8:51. 
  3. KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, Introdução. 
  4.  Idem, ibidem,  cap.V, itens 21 e 22. 
  5.  FRANCO, Divaldo. Sementes da Vida Eterna.  2.ed. Salvador: LEAL, 1989, cap. 56. 

 

      

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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