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Temos assistido

junho 6, 2020

E quem é meu próximo” -Lucas, 10-29

Passados os anos, ainda temos assistido nas casas espíritas o “muro invisível” que separa os assistidos dos trabalhadores. Entristece a constatação de que essa barreira invisível tem nas suas raízes, entre outras, a questão da classe social, na qual o trabalhador espírita, geralmente oriundo da classe média, é o provedor de serviços assistenciais a um grupo menos favorecido, que dele depende, por vezes em uma condição de subalternidade, o que gera afastamento e isolamento. Você vem aqui pegar a bolsa e eu venho dá-la…

É bem verdade que a tecnologia, a educação formal e a própria cultura local são fatores que dificultam essa relação, porém, os princípios da fraternidade pregados pelo Espiritismo mostram que na fieira das reencarnações nos alternamos na pobreza e na riqueza, e que não existem castas, como incentivo a mudarmos, de alguma forma essa relação, permeada pela visão de esmola na prática do bem. É preciso estimular o diálogo!

Dos princípios evangélicos, fica bem gravado em nossos corações que “somos todos irmãos”, exemplificado por um filho de uma manjedoura que pregava entre excluídos e minorias. Mas, como incluir, em uma relação fraterna, esses nossos irmãos, para além da subalternidade da necessidade? Precisamos refletir sobre a relação na casa entre os que “fazem caridade” e os que “recebem caridade”, lembrando que a prática do bem é troca incessante, no aprendizado reflexivo, no qual cedo ou tarde nos alistaremos para receber a bolsa da caridade ao longo de nossas encarnações.

Será que nada temos a aprender conversando com essas pessoas? Será que elas não podem ser incluídas na casa em outros processos? Reflexões necessárias…Olhar para os que entram na casa espírita como verdadeiros irmãos…Que desafio! Se a pessoa vai apenas na busca da bolsa para saciar a fome ou para ouvir uma palavra amiga, são todos filhos do pai, na busca de uma sombra na casa espírita, oásis nas lutas ensolaradas do cotidiano.

Um sonho? Talvez…Um processo, de fato…Um objetivo, acredito que sim. O importante é não perdermos de vista que no espaço da casa espírita mostramos o “melhor de nós” e que necessitamos ali desenvolver o mundo novo que queremos, com diálogo e integração, para o crescimento mútuo. E para essa grande jornada, é necessário o primeiro passo.

Marcus Vinícius de Azevedo Braga

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque adaptada da disponível em
<https://www.flickr.com/photos/netprashant/2252542309>. Acesso em: 06JUN2020.

Marcus Vinicius de Azevedo Braga
Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Residindo atualmente na cidade do Rio de Janeiro, espírita desde 1990, atua no movimento espírita na evangelização infantil, sendo também expositor. É colaborador assíduo do jornal Correio Espírita (RJ) e da revista eletrônica O Consolador (Paraná). É autor do livro Alegria de Servir (2001), publicado pela Federação Espírita Brasileira (FEB) e do Livro "Você sabe quem viu Jesus nascer" (2013), editado pela Editora Virtual O Consolador.

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