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O que a religião desuniu o amor agrega

maio 24, 2020

Fazia palestra num centro espírita em Bauru quando avisto uma carequinha na multidão… Pensei: Meu padrinho? Será? Mas o que ele estaria fazendo num centro espírita? A resposta era óbvia. Ele viu no jornal e foi me assistir… Após a palestra, procurou-me, deu um longo abraço e disse: “Fiquemos com o que nos une, você espírita, eu, seu padrinho católico, não posso deixar que a religião nos afaste… E despediu-se, coração sereno, certo de que derrubou um muro enorme chamado preconceito…

Em O livro dos Espíritos (questão 982, que coloquei aqui com minhas palavras) Kardec indaga os mentores espirituais se é preciso crer no Espiritismo para ter sorte na vida futura. Os Espíritos respondem que não. O caminho é o bem.  Definiram com precisão. A trilha é o bem, nada, além disso. Os Espíritos não se preocuparam em levantar bandeiras, mas em propagar ideias. E quais ideias? As ideias do amor, da compreensão, de Jesus. Interessante deixar claro: As religiões não podem nos afastar das pessoas e levantar muros em divisões do tipo: católico, evangélico, espírita, budista, muçulmano. O papel da religião é o de unir, jamais criar barreiras.

Toda essa prosa me fez lembrar um rapazinho que me mandou um e-mail, mais ou menos assim: “Moço, amo uma menina, mas conheci Kardec, conheci o Espiritismo e as ideias são tudo de bom.  É bem certo que os pais dela não irão aceitar nossa união se eu me confessar um kardecista”.

Fiquei muito triste com aquilo e pensando no drama que vivia o jovem. O que ele devia fazer? Abraçar Kardec ou abraçar o seu amor. Complicado, não?

Só quem passa por isso para constatar a dificuldade em escolher entre um amor juvenil e o ideal. Não queria estar na pele dele. Querem saber o que aconteceu? Eu conto. O rapazinho optou por ficar com a namorada e não deixou Kardec. Ele estuda a Doutrina Espírita quietinho, no canto dele, sem falar nada pra ninguém. De vez em quando me escreve, conta seus dilemas, fala e compartilha suas descobertas sobre o plano espiritual. Claro que não o censuro. Quem sou eu? Apenas penso no drama dele que é vítima do preconceito. Uma pena.

Ainda bem que o Espiritismo por meio dos Espíritos nos ensina o contrário: O caminho é o bem. Democrático, para todos, transforma um mundo num lar e as pessoas em irmãs.

Bom ler O Livro dos Espíritos, bom ler Kardec. Por isso esses são mestres, eles simplificaram o que costumamos complicar. Tudo é muito simples: basta respeitar as crenças e fazer o bem. O resto? O resto, deixemos a critério do amor, até porque o que a religião desuniu o amor agrega, sem dúvidas…

Wellington Balbo

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://francal.com.br/pt-br/noticias-intro/90-inspiracoes/539-moda-caminha-de-maos-dadas-com-o-planeta>. Acesso em: MAI2020.

Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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