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Após a tormenta das sombras

maio 20, 2020

A fatalidade da Lei Divina é a perfeição do Espírito
“Eu não me lembrarei mais de todas as iniquidades que ele tenha cometido; viverá nas obras de justiça que houver praticado.” (Ezequiel, 18:22)

O episódio no qual Jesus desarmou a multidão enfurecida que estava prestes a apedrejar a mulher flagrada em adultério, desdobra-se em infinitas nuanças… Quem em sã consciência pode dizer que jamais percorreu os sombrios tremedais das iniquidades? Como apontar o dedo em riste? Onde a autoridade para profligar o mal alheio?!… A voz suave, porém, firme do Mestre Maior tinha entre outras coisas o dom de desarmar o espírito de beligerância.

Ele disse também “não olhe para trás aquele que lança mão do arado.” (Lc., 9:62)

Criados “simples e ignorantes” não é de admirar que nosso lastro de experiências esteja respaldado em circunstâncias infelizes elaboradas pelo uso inadequado e irresponsável do nosso livre-arbítrio. Porém, não será por isso que vamos enquistar-nos nos vales sombrios da inércia, consumindo-nos em soezes remorsos e curtindo desaires inoperantes. Após a tormenta das sombras faz-se necessário que nos ergamos acima das limitações a fim de sanear nossa economia espiritual de todo mal, asserenar a alma e buscar nossa sublime destinação: a perfeição relativa.

Não serão os episódios infelizes e infelicitadores que irão impedir nossa marcha ascendente para os cimos da Luz Divina.

O exemplo de Maria de Magdala é um libelo grandiloquente que fala de modo explícito a respeito da vitória íntima do bem contra o mal, ambos existentes dentro de nós mesmos, competindo-nos desenvolver aquele e extinguir este. Miremo-nos no exemplo dessa criatura singular a fim de reanimar nossas forças para as árduas caminhadas, desconectando nossas vidas dos marnéis infelicitadores.

Observemos as leiras íntimas ainda infestadas de ervas daninhas trabalhando denodadamente para erradicá-las e liberando-nos, assim, para a emancipação espiritual.

Há que se colocar as mãos na charrua e ̶ sem olhar para trás ̶ seguir em direção ao futuro de paz, sabedoria e amor, cônscios de que o Pai não deseja a morte do ímpio, mas quer que o ímpio se converta, que abandone o mau caminho e que viva, conforme podemos verificar nas anotações de Ezequiel, 33:11.

Atentemos para algumas assertivas de Joanna de Ângelis esparzidas ao longo do livro “Autodescobrimento”, da notável lavra mediúnica de Divaldo Franco: “(…) a atitude correta está em viver cada momento intensamente, porquanto, cada minuto que se acerca e passa, é o futuro chegando e transformando-se em passado. (…) Torna-se relevante a conquista da segurança íntima, de forma que a conduta seja orientada pela consciência, mantendo-se sempre vigilante em todos os momentos, particularmente nas ações. Esse comportamento se tornará habitual, passando a integrar a personalidade que fruirá de harmonia pelo bom direcionamento aplicado à existência. (…) A ascensão é experiência que começa no desejo de elevar-se, e conquista a conquista, sedimenta os impulsos inteligentes, sábios, conseguindo chegar ao patamar anelado da planificação, ao alcance de todo aquele que o intente consciente e subconscientemente. (…) Liberando-se dos substratos anestesiantes e perturbadores, deve-se reciclar o subconsciente, preenchendo os espaços com novos elementos portadores de campos de irradiação equilibrada, estimuladora, para avançar na conquista do ser profundo, interior… Quando o indivíduo quer, ele pode realizar, dependendo dos investimentos que aplica para consegui-lo. O empenho bem direcionado pelo pensamento objetivo, claro, sem conflito, logra criar futuros condicionamentos através das mensagens que arquiva, restabelecendo no subconsciente o banco de dados que responderá mais tarde com as informações corretas do que lhe seja solicitado.

(…) Mesmo quando os conflitos decorrem como efeitos reencarnacionistas, que se manifestam como psicopatologias de angústia, de medo, de insegurança, sob o aguilhão do remorso de algo inexplicável, a conscientização do bem que se haja feito, e ainda se poderá fazer, produz um lenitivo que suaviza os conflitos, facultando a disposição sincera para reabilitar-se.

(…) A fatalidade da Lei Divina é a perfeição do Espírito. Alcançá-la é a proposta da vida. Como conseguir, é a opção de cada qual. (Mt., 16:27).

(…) O “Si” profundo, pleno, é semelhante à transparência que o diamante alcança após toda a depuração transformadora que sofre no silêncio da sua sutilização molecular, libertando-se de toda imperfeição interna porque passa e de toda a ganga que o reveste… Essa conquista é o imenso desafio da evolução dos seres!…”

Rogério Coelho

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://perisco.blogspot.com/2011/05/entardecer-apos-tormenta.html>. Acesso em: 20MAI2020.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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