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A porta estreita

março 12, 2020

A crer na unicidade da existência a humanidade estaria relegada a triste destino

                                               “(…) os que forem últimos serão os primeiros
 e os que  forem primeiros serão os últimos.”
                                             – Jesus.  (Lc., 13:30)

Somente conseguiremos entender o real significado dos versículos  acima, exarados  nas  parábolas  da  “Porta  Estreita”  e  dos “Trabalhadores da Última  Hora”  se  os conectarmos  com as Parábolas do “Festim das Bodas” e  do  “Filho Pródigo”. Os  “primeiros” (localizados na  parábola  do Festim  das Bodas – Mt., 22:1 a 14) são os hebreus, que foram  chamados por Deus ao conhecimento da Sua Lei.   Infelizmente, esses fizeram ouvidos moucos aos mensageiros divinos, vez que seus interesses  rasteiros, horizontais, impediam a visão superior e preferiram continuar rentes às suas casas, campos e negócios que lhes falavam mais de perto…

Os “últimos” (localizados na  parábola  da Porta Estreita  – Lc., 13:23 a 30) são as pessoas que virão do Norte, Sul, Leste e Oeste, e que não fizeram ouvidos moucos aos mensageiros  do Mais Alto.  São as criaturas que abriram mão  do imediato, do palpável, dos interesses subalternos e voltaram-se para a conquista dos inalienáveis e verdadeiros tesouros: os dos Céus!

Atentemos para  o significativo  detalhe exarado em Mateus (22:9): “ide, pois, às encruzilhadas e chamai para as bodas todos quantos encontrardes”.

Refere-se a “encruzilhada”, isto é, a caminhos dispostos em forma de cruz. E encontramos em Lucas (13:29): “e  virão do Oriente  e  do  Ocidente,  do setentrião e do Meio-dia”. Ora, Oriente = Leste, Ocidente = Oeste, Setentrião (setentrional) = Norte, Meio-Dia (meridional, austral) = Sul; aí está a “encruzilhada” referida em Mt., (22:9).

Os “últimos” virão, portanto, de todos  os pontos geográficos.

OS PRIMEIROS SERÃO OS ÚLTIMOS

A “parábola do Filho Pródigo” mostra-nos com peregrina clareza que a “Porta” estará sempre aberta àqueles que desejam atravessá-la.  Muitos, porém, só se dispõem a isso após o “batismo” do sofrimento. Os que inicialmente fizeram  ouvidos moucos ao chamado divino voltarão, por último, mas voltarão… E, confiante nesse regresso Jesus afirmou (Mt.,18:14): “não é da vontade de vosso Pai, que está  nos Céus, que um desses pequeninos se perca”.

A unicidade das existências é incompatível com tais realidades. Somente a pluralidade das existências poderá ensejar a travessia pela porta estreita (ainda que em último lugar).  A crer na unicidade da existência estaríamos relegando grande parte da Humanidade a triste sorte, condenada  a  eternos “prantos e ranger de dentes“…

Aprendemos com o ínclito Mestre Lionês (1): “(…) por que essa porta tão estreita que só a muito poucos é dada transpor, se a sorte da Alma é  determinada para sempre, logo após a morte?!

Com a anterioridade da Alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga; faz-se luz sobre os pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro tornam-se solidários com o passado, e só então se pode compreender toda a  profundeza, toda a verdade e toda a sabedoria das sentenças do Cristo”.

Rogério Coelho

Referência:
(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XVIII.

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://www.catequesedobrasil.org.br/noticia/a-porta-que-da-acesso-a-vida-24082019-134931>. Acesso em: 12MAR2020.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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