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Herodes era rei e Jesus carpinteiro

setembro 28, 2019

“As posições entre os homens, frequentemente, estão
na razão inversa da elevação dos sentimentos morais”.
Allan Kardec (1)

Segundo Joanna de Ângelis (2):

“(…) a paixão de Herodes pelo trono e a de Jesus pela Verdade possuíam a mesma intensidade, somente a canalização das forças era dirigida em sentidos opostos”.

Jesus será sempre o nosso “Modelo e Guia mais perfeito” conforme assertiva dos Espíritos Superiores na questão 625 de “O Livro dos Espíritos”.

Inobstante Suas ilimitadas e imarcescíveis qualificações morais, a vida colocou-O frente a frente com venais juizes humanos e Ele permaneceu humilde e às vezes silencioso, embora impertérrito…

Seu exemplo de humildade começou no berço singelo e despojado, como que para mostrar-nos quão prejudicial para nossa economia espiritual é o orgulho cujas consequências são ásperas amarguras, acerbas e causticantes dores de não fácil erradicação. É necessário, muito necessário, atentarmos para o Divino Modelo!

Segundo o Mestre Lionês (1):

“a marcha dos Espíritos nos trâmites evolutivos é progressiva, jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na hierarquia, e não descem da categoria que já alcançaram. Nas suas diferentes existências corporais podem descer como homens, mas não como Espíritos. Assim, a alma de um potentado na Terra, pode, mais tarde, animar o mais modesto artesão e vice-versa”.

A Doutrina Espírita com seu inesgotável manancial de ensinamentos esclarece-nos também quanto ao aspecto menos imediato da vida, ou seja: o presente como corolário do pretérito e o futuro como resultado do presente. Dessa forma, o espírita estudioso e sério, em qualquer degrau social, sabe que sua posição boa ou má não será eterna. Se está no ápice da ordem social, não se envaidece nem se ensoberbece, pois sabe que não viverá aí em regime vitalício; mas se está na base da ordem social, integrando a grande e desafortunada mole humana, não se desespera nem se revolta, pois confia no futuro promissor.

Revelam os Benfeitores Espirituais (3):

“Os Espíritos encarnam como homens ou mulheres porque eles não têm sexos. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social oferecem-lhes provas e deveres especiais, além da oportunidade de adquirir experiência. Aquele que fosse sempre homem, não saberia senão o que sabem os homens”.

Perfil do espírita-cristão (4)

O verdadeiro espírita, onde quer que se situe na escala social, será sempre aquela criatura consciente de que Jesus é o seu “Modelo e Guia mais perfeito. Será humilde, probo, cumprirá a lei de justiça e amor e de caridade na sua maior pureza; interroga sempre a sua consciência sobre seus próprios atos, perguntando-se se violou alguma lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem; deposita fé em Deus; tem fé no futuro; sabe que todas as vicissitudes da vida são o cadinho esfogueante que lhe testarão a têmpera; faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma, retribui o mal com o bem; encontra satisfação nos benefícios que espalha; seu primeiro impulso é para pensar nos outros; é bom, humano, benevolente, respeitador; não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; perdoa e esquece as ofensas; é indulgente; nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios; estuda as próprias imperfeições, esforçando-se incessantemente para combatê-las; usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos; respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, mas quer que sejam respeitados os seus”.

Se não conseguirmos acomodar em nosso coração esses normativos que caracterizam o “modus-vivendi” do verdadeiro Espírita, estaremos no mesmo patamar de Herodes e bem distanciados de Jesus, engrossando a fileira dos orgulhosos, dos déspotas e venais… Não nos caberá, portanto, estranhar o lastimável “status-quo” da sociedade hodierna, vez que lhe aumentamos o contingente com nossa personalidade conspurcada pela jaça do livre-arbítrio mal direcionado.

Assevera Lacordaire (5):

“O orgulho é o terrível adversário da Humanidade. Se o Cristo prometia o Reino dos Céus aos mais pobres, é porque os grandes da Terra imaginam que os títulos e riquezas são recompensas deferidas aos seus méritos. Sem humildade não podemos ser caridosos e fora da Caridade não há salvação possível.”

Por mais anônimos que sejamos, onde quer que estejamos situados, saibamos discernir os verdadeiros valores. Não permitamos que o ilusório jogo das aparências nos ludibrie. Saibamos, como Jesus, ver além das aparências… Lembremo-nos sempre que o pigmeu Herodes era Rei, e Jesus, o Gigante Espiritual, singelo carpinteiro.

Rogério Coelho

Referências Bibliográficas:
(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 83.ed.Rio [de Janeiro]: FEB, 2002 – q.194-a;
(2) FRANCO, Divaldo. Momentos de Meditação. 2.ed.Salvador: LEAL, 1996, cap. 19;
(3) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 83.ed.Rio [de Janeiro]: FEB, 2002 – q. 202;
(4) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 121.ed.Rio [de Janeiro]: FEB, 2003, cap. XVII, item 3;
(5) Idem ibidem, cap. VII, item 11.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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