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Relacionamentos e Emoções

setembro 11, 2019

Está aí um tema difícil, em lidar conosco e com o próximo. Como é difícil compreender o outro quando temos dificuldade em lidar conosco. Isso acontece porque vivemos iludidos achando que o outro faria o que eu acho que é certo, ou que agiria da forma que eu gostaria. Ilusão é aquilo que pensamos, mas que não corresponde à realidade. São percepções que nos distanciam da verdade. Existe em relação a muitas questões da vida, como metas, comportamentos ou pessoas. E a pior das ilusões é a que temos com relação a nós: a auto ilusão.

No capítulo 11 do E.S.E. (Evangelho Segundo o Espiritismo) temos o depoimento de uma Rainha da França:

“Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre!”

A desilusão dela faz-nos pensar em como estamos conduzindo nossa vida através de alguns questionamentos:

1) Será que o fato de estarmos dentro de uma Casa Espírita traz-nos a salvação?
2) Será que não estamos reproduzindo o comportamento de milênios, achando que por estarmos dentro de um templo religioso, basta?

Porque só se desilude quem um dia se iludiu. Não existe desilusão sem ilusão. Por isso precisamos parar de nos iludir. E como fazer isso? Como lidar com essa coisa criada há milênios e que faz parte de nossa personalidade?

Allan Kardec dá-nos a reposta quando diz: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e o esforço que emprega para vencer suas más inclinações”. Por isso, a base da Doutrina Espírita é a reforma interior. Ninguém mata sentimento. Reformar-se, interiormente, é ressignificar o que sentimos, ou seja, dar outro significado àquele mesmo sentimento. É aprender a desconstruir para reconstruir.

As ilusões decorrem das nossas limitações em perceber a natureza dos sentimentos. Na matriz das ilusões encontramos: CARÊNCIA, DESEJOS, CULPAS, TRAUMAS, FRUSTRAÇÕES e todo um conjunto de tendências que formam as emoções. Toda opinião que formamos hoje está ligada a fatos antecedentes, porque todos os pensamentos julgadores de hoje estão sedimentados em nossa memória profunda. Como diz o espírito Hammed: “São subprodutos de uma série de conhecimentos que adquirimos na idade infantil e também através das vivências pregressas.”

Por exemplo: Se vejo alguém jogando lixo pela janela do carro, instantaneamente, digo “porco”. Mas quantas vezes fizemos isso antes de ter esse entendimento? Ou: vejo uma pessoa casada e outra solteira tomando um suco juntas, é comum emitirmos um julgamento dizendo “ai tem coisa”, sem raciocinar que pode ser um irmão(ã), ou primo(a), ou uma entrevista de emprego; enfim, pode ser que não seja aquilo que imaginei.

As ilusões impedem-nos que realmente tenhamos olhos de ver, transferindo a responsabilidade a outrem. Adão disse a Deus: “eu não pequei, a culpa foi da mulher que me tentou”. Eva desculpando-se disse: “toda discórdia ocorrida cabe à maldita serpente”.

O objetivo da reencarnação consiste em desiludir-nos sobre nós mesmos, através de uma relação libertadora com o materialismo. Se não buscamos essa meta voltaremos pra casa da mesma forma que aqui chegamos.

Façamos a nossa parte, buscando a cada dia desconstruir as ideias formadas ao longo dos milênios, para reconstruir de uma forma mais sólida. Como disse Chico Xavier: “quer que aconteça algo diferente na sua vida? Faça algo diferente”.

Francisco Ortolan

Francisco Ortolan
Francisco Ortolan

Francisco Ortolan é representante comercial, espírita há 28 anos, orador espírita há 15 anos e um dos fundadores da Comunidade Espírita Cristã Esperança em Fernandópolis/SP.

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