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Solitude, solidão, solicitude

agosto 18, 2019

As três palavras são muito parecidas, sonoridade semelhante, mas suas definições são bem distintas. E podem abrir universos de exemplos e abordagens. Aqui a abordagem é motivada pela curiosidade cultural das três palavras.

Vejam que interessante:

Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não significando, propriamente, estado de solidão. Pode representar o isolamento e a reclusão, voluntários ou impostos, porém não diretamente associados a sofrimento.

Solidão: estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento. Ou ainda sentir-se triste e infeliz devido ao isolamento social. E também não necessariamente em sofrimento.

Solicitude: boa vontade, desejo de atender da melhor maneira possível a alguma solicitação; empenho, interesse, atenção. Ou ainda afã e diligência em tratar, alcançar ou conseguir algum fim.

Outras palavras e exemplos podem ser trazidos com a mesma ocorrência de semelhança em letras e sonoridade, mas fiquemos apenas com essas com o objetivo de buscar a importância de cada uma delas.

Afinal podemos estar em estado de solitude, com ou sem solidão, e exercitar a solicitude. Ou ser solícito, com ou sem solitude ou solidão… Muito interessante os exemplos que podem se encaixar nessa linha de raciocínio. E igualmente podemos estar nos três estados, individualmente em cada um ou nos três ao mesmo tempo. Quantas situações! Ou em apenas dois, como por exemplo, em solitude e solidão, sem solicitude. Confundiu? É que as variadas circunstâncias ou situações humanas podem nos situar em quadros como os acima citados.

As três são úteis e o importante é que vivamos essas experiências com solicitude, ainda que nos utilizemos ou não da solidão ou da solitude. Em privacidade ou solitário, a disposição de boa vontade é sempre a marca da moralidade.

Nos embates da atualidade o que se vê mais é solitude desrespeitada, a solidão provocada e muitas vezes sofrida ou vivida com egoísmo, e pouca solitude, exceto se nos próprios interesses. Por isso os sofridos quadros morais que estamos vivendo. Melhor que transformemos a nossa possível solidão ou nossa solitude em posturas práticas de solicitude. Aí a vida fluirá com mais abundância.

Por isso afirma Auta de Souza na bela página Sublime Encontro:

         Se procuras o Cristo Soberano

         Por excelso refúgio às próprias dores,

         Busca hoje e amanhã, por onde fores,

         O torturado coração humano.

         Desce ao vale dos grandes amargores,

         Onde revelam sofrimento insano

         A aflição, a miséria e o desengano,

         Entre flagelos purificadores.

         Desce à feição do Sol na noite fria,

         Guardando a caridade por teu guia,

         Ajudando e servindo cada hora…

         E, ante a luz da Divina Primavera,

         Encontrarás o Cristo que te espera,

         Crucificado em cada ser que chora.

Orson Peter Carrara

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em
< https://www.shutterstock.com/pt/video/clip-2781958-child-alone-park>. Acesso em: 18AGO2019.

Orson Peter Carrara
Orson Peter Carrara

Expositor espírita, tem percorrido muitas cidades do Estado de São Paulo e já esteve na maioria dos estados do país, por várias vezes, para tarefas de divulgação espírita. Articulista da imprensa espírita, tem colaborado com diversos órgãos da imprensa espírita, entre revistas, sites e jornais do país, além de boletins regionais, no país e no exterior. Autor de treze livros, seus textos caracterizam-se pela objetividade e linguagem acessível a qualquer leitor, estando disponibilizados em vários sites de divulgação espírita.

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