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Cura moral dos encarnados – Análise do texto da Revista Espírita

maio 6, 2018

Com muita frequencia perguntam a razão pela qual um Espírito, quando comparece a uma reunião mediúnica, mesmo sendo considerado “mau”, acolhe com mais facilidade os conselhos para moralizar-se que quando em seu tempo de encarnado.

Longe da ideia de fechar a questão em tema tão complexo e que traz tantas variáveis, haja vista que cada caso e situação de além-túmulo é único. Portanto, trago, aqui, uma reflexão produzida após leitura do texto – “Cura moral dos encarnados”, publicado na “Revista Espírita”, em julho de 1865.

Segundo o texto, um rapaz, cego há mais de uma década havia merecido atenção de um espírita que, por meio do magnetimo objetivava curá-lo. Ocorre que o rapaz era ingrato e dava provas de ser um Espírito sem boas noções morais.

São Luís inicia os comentários e informa que para os bons fluidos poderem penetrar é necessário que o indivíduo, vítima da enfermidade, trabalhe para que os maus fluidos que o envolvem sejam dissipados.

A compreensão disto é a de que os bons fluidos não penetram em ambiente saturado pelos maus fluidos. São fluidos antagonistas e repelem-se. A ação magnética, segundo São Luís, será inócua enquanto não houver a vontade do encarnado em eliminar os maus fluidos. Pode-se usar, por analogia, o exemplo de um vaso que, contendo água suja estará impossibilitado de receber o conteúdo de uma água potável. É, portanto, primeiro preciso eliminar a água suja do recipiente para, então, depositar a substância límpida.

São Luís aborda a necessidade da cura moral antes da cura física. É necessário que o Espírito modifique sua disposição íntima para que o seu magnetizador possa atuar com mais eficácia.

Filas aglomeram-se nos Centros Espíritas para receber o chamado “passe”, mas os benefícios deste, atuando dentro das leis da natureza, não poderão adentrar os corações repletos de maus sentimentos. Não porque os Espíritos desejam que assim seja, mas por conta de que isto é uma lei.

No caso em questão, São Luís descarta que o encarnado esteja em processo obsessivo, informando que, em realidade, é a natureza dura, de coração petrificado que dificulta sua situação e coloca-o em contato com maus Espíritos. Tão logo moralize suas ações os maus Espíritos se afastarão. Fato interessante, pois não há, neste caso, uma perseguição contumaz promovida pelos maus Espíritos, mas apenas uma associação pela afinidade de ideias e sentimentos.

Esta narrativa de São Luís é deveras importante porque coloca com propriedade a responsabilidade no indíviduo, situando-o não como vítima dos maus Espíritos, mas sim como agente principal de sua infelicidade.

Ademais, São Luis aborda a questão que envolve a influência que o ambiente exerce sobre o Espírito. Este ponto deixa-nos uma reflexão: sendo a Terra um mundo de provas e expiações, morada de Espíritos ainda pouco moralizados, é fato que o ambiente e as companhias que circundam este encarnado pesarão e muito em sua tomada de decisões.

Eis a razão pela qual deve-se primar pela construção de ambientes harmoniosos a fim de que Espíritos mais endurecidos possam encontrar horizontes mais promissores para desenvolverem-se, moralmente. Prossegue São Luís nos comentários e pede a união de pessoas em torno deste rapaz. O objetivo é nobre: orações, emanação de bons sentimentos com o intuito de construir em relação a ele ondas de bons fluidos para que se dissipe os maus fluidos em que se acha mergulhado. Nesta explanação de São Luís percebe-se como os pensamentos podem criar um clima propício para a melhoria moral de alguém.

Orações, reunião de pessoas que lançam seus sentimentos de amor em direção ao próximo, constituem poderosa ferramenta de auxílio na ampliação de consciência dos indivíduos.

O Espírito Erasto também participa da reunião. O cerne da questão é saber a razão pela qual os conselhos são acolhidos com mais facilidade pelos Espíritos desencarnados do que pelos encarnados.

A explicação de Erasto também é bem clara: os desencarnados estão sem os embaraços que a matéria impõe. Estar na carne, portanto, requer uma ação ainda mais tenaz da vontade para serem vencidas as limitações.

Na erraticidade o Espírito é, então, mais suscetível aos conselhos e sugestões disponibilizadas por quem quer o seu bem. Além do que, segundo Erasto, interagir entre si é fundamental nesta relação entre os dois mundos, visível e invisível.

Compreende-se, dentre tantas coisas, três lições que saltam aos olhos neste texto da Revista Espírita:
(1) Nem sempre é possível uma ação eficaz do magnetizador para a cura dos males físicos, porque para que o mal físico seja sanado, é preciso, primeiro, tratar o mal moral;
(2) Nem todo problema, seja ele físico ou moral de um encarnado é oriundo de um processo obsessivo;
(3) A vida na matéria coloca obstáculos a mais para moralização do Espírito, o que solicita deste a ampliação da vontade para vencer suas próprias limitações e desenvolver-se em direção a Deus.

Pensemos nisto.

Wellington Balbo

Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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