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O vento assopra…

agosto 17, 2017

Nicodemos era um fariseu conhecido como príncipe dos judeus, pois era poderoso e rico, membro do Sinédrio. Os fariseus tinham altos conhecimentos espirituais, mas não praticavam o que pregavam. Jesus, então, respondia a muitas perguntas de Nicodemos, induzindo-o a pensar sobre as percepções que transcendem o contexto material, e lhe disse: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. (1)

 “O vento pode ser compreendido, na alusão do Mestre, como tudo aquilo que, nos planos psíquicos, tenha condições de sensibilizar o ser, sem que possa ele observar de modo palpável e ostensivo o seu mecanismo. Antes de se pretender apalpar qualquer tipo de material tangível nas reentrâncias do Espírito, por sua inexistência, é bom depreender que a realidade da alma imortal se expressa, de modo concreto a todo aquele que “tendo olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, alcança, por seu “sentir” e para além do véu, o que a grande massa ainda não consegue efetivamente atingir.” (1)

O que nos sensibiliza? Precisamos descobrir isso em nós para que esse mundo sensorial desabroche e nos humanize mais.

Hoje o mundo se move pelo dinheiro e pela ilusão do ter, e o contato com a natureza, talvez, seja uma das maneiras que as a grande massa instintivamente busca para resgatar esse “sentir” que Jesus se refere. Na natureza vemos a obra de nosso Criador, que nos encanta, nos fazendo parar a mente. Está ao nosso alcance, mas que nem todos nós paramos para contemplar e sentir, porque as nossas selvas de pedras oferecem muitas outras atrações e compromissos inadiáveis, não nos dando tempo atender às demandas da alma. O resultado desse afastamento é a sede que o homem atual tem por viajar para as praias ou para as montanhas, sair da cidade, ir para a natureza. São corações vazios, buscando um propósito maior.

Temos mentes fragmentadas em mil e um pedaços, fruto do mundo agitado, buscando algo que não sabe o que é. Estamos ocos. Mas é um paradoxo, porque o mundo da unidade, do equilíbrio, da paz é para ser descoberto dentro de nós mesmos, como Cristo sempre nos mostrou: assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Nunca se ouviu tanto sobre os benefícios da meditação, do trabalho voluntário, dos bons pensamentos e sentimentos como agora. As casas espíritas atendem mais pessoas que os hospitais. E porque será tudo isso? Ora, são os vanguardeiros sendo porta-vozes a todos aqueles que acompanham o trabalho de melhoria, aglomerados em multidão, são “as trombetas dando sonidos “certos“ para anunciar a Era do Espírito” (2). Temos uma Espiritualidade Maior irradiando energias benéficas, ansiosos que o mais empedernido dos corações acorde para uma nova perspectiva de vida, para “ter olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”. 

Já temos muitos cientistas estudando estes fenômenos de curas pela fé, poder das preces e passes espirituais, porque os resultados estão saltando aos olhos deles, que como Nicodemos, estão com muitas perguntas a serem respondidas. E Cristo, o tempo todo em nossas mentes, responde há milênios a todas elas, mas o muro insensível do materialismo nos tem feitos cegos.

Estamos na era do espírito, de primeiro crer para ver, de escutar Deus em nós. Não somos mais animais meramente instintivos querendo sobreviver na selva. Somos seres humanos que já podemos travar os impulsos negativos pela luz da razão e do bom sendo. Para avançar no caminho do progresso, é preciso vencer os instintos em favor dos bons sentimentos. É preciso aperfeiçoar os sentimentos para nos afastarmos das coisas materiais. (3)

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Referências:
(1) UNIÃO ESPÍRITA MINEIRA. Luz Imperecível. Cap. 192 – Limitações
(2) XAVIER, Francisco Cândico (pelo Espírito Emmanuel). Vinha de Luz. Capítulo 124: O Som. Ed. Federação Espírita Brasileira. 27ª ed.
(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução: Claudio Damasceno Ferreira Junior. Porto Alegre: Edições Besouro Box, 2015. Capítulo 11:8 – A Lei do Amor (Lázaro).

Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://www.1freewallpapers.com/child-girl-blowing-dandelion-taraxacum-flower/pt>. Acesso em: 17AGO2017.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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