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O bem e o mal, lado a lado

agosto 3, 2017

“O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Dormindo, porém, os homens, veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo e partiu. Quando germinou o ramo e produziu fruto, então apareceu também o joio.
Aproximando-se os servos do senhor da casa, disseram-lhe:
Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde, portanto, terá vindo o joio?
E ele lhes disse: um homem inimigo fez isso;
os servos lhe dizem: Sendo assim, queres que, após sair, o recolhamos?
Ele, porém, diz: Não; para que, ao recolher o joio, não desenraizeis junto com ele o trigo.
Deixai crescer ambos juntos até a ceifa e, no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros:
Recolhei primeiro o joio e atai-o em molhos para os queimar; o trigo, reuni no meu celeiro.”

Mateus, XIII – 13-13:30 

A parábola do “Joio e o Trigo” do Novo Testamento explica o momento atual do nosso planeta, que está em transição; passaremos de planeta de provas e expiações para de regeneração. O trigo e o joio, ou as pessoas que se esforçam em regenerar-se e as que ainda se comprazem no mal convivem e interagem. A seleção de quem herdará a nossa terra em regeneração e quem se atrairá para um planeta primitivo já está acontecendo, através da atração magnética.

Mas podemos ainda extrair desta parábola outra interpretação que se aplica a nossa profunda psique. No momento certo, quando estamos preparados, Deus nos permite entrar em contato com algumas de nossas imperfeições; as que suportamos encarar e que se manifestam no nosso relacionamento com os outros para justamente superá-las.

Em nossas vivências diárias, nos deparamos com o bem e o mal ao mesmo tempo dentro de nós e dos outros.  Em alguns momentos somos bons, solidários, estamos no céu, outra hora somos maus, egoístas, estamos no inferno.  O mundo da dualidade, dos contrastes. Ainda não temos a estabilidade, a unidade que nosso Mestre Jesus tinha. Estivesse ele onde estivesse, com quem fosse, sempre se manteve impecavelmente equilibrado e amoroso.

O que reprovamos nos outros com muita raiva e revolta, é sinal que esses sentimentos ainda estão dentro de nós, pois se os identificamos tão claramente nos outros, não será que refletimos algo que está em nós também? E de que maneira poderíamos entrar em contato com estes sentimentos se não convivêssemos com os outros? Precisamos muito dos outros para saber quem somos, então, por isso Jesus disse “deixai crescer juntos até a ceifa”.

Ajudamos a criar o mundo em que vivemos pelos nossos pensamentos e sentimentos. Interagimos com o mundo e nesta permuta de energia, criamos a psicosfera em que vivemos. Mas tudo se encaixa certinho, tudo acontece na hora certa, numa sincronicidade e complexidade magnífica, que só a maestria de uma inteligência suprema pode gerenciar. 

Quando limpamos um joio, damos um salto em evolução e modificamos a psicosfera em nossa volta e ajudamos os que estão perto a se melhorarem também. E nos sentimos na luz. Mas não demora muito vem outra provação e o nosso próximo nos demonstra uma maturidade e equilíbrio que nos surpreende e nos faz ou invejar, deixando o inimigo, ou o ego, semear o joio, ou seguir humildemente o exemplo, depende da maturidade que tivermos. Nesse caso, a psicosfera criada pelo outro nos ajudou. Inverteram-se os papeis. E assim o joio e o trigo, agem e interagem.

E como disse Haroldo Dias numa de suas palestras, para cada imperfeição nossa, tem um sofrimento a ser vivenciado. Erraremos e sofreremos muito ainda, porque é assim que progredimos e não temos outra opção. Esta é a limpeza do nosso joio e que precisa de corações valentes, perseverantes e humildes para executá-la.

A esta dança linda da vida, do mundo de erros e acertos, das experiências valiosas, somos os convidados de honra de Jesus e temos o compromisso de fazer brilhar as nossas vestes para a ceia a que fomos convidados com todo o trigo limpo, debulhado e pronto.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <https://www.crossroadsinitiative.com/media/articles/parable-of-the-wheat-and-tares/>. Acesso em: 03AGO2017.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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