Página InicialSuicídio: conhecer para prevenirComunicação de massa e a imitação e o contágio do suicídio

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Comunicação de massa e a imitação e o contágio do suicídio

agosto 3, 2017

Carla Soares Martin, jornalista do portal Comunique-se, escreveu a matéria intitulada “Folha dá notícia de suicídio”, no dia 15 (jan/2009), que transcreveremos na íntegra, ao final deste post.

Podemos extrair desta matéria, como elemento de debate, a seguinte questão: deve-se ou não publicar notícias sobre o suicídio e se, em caso afirmativo, como fazê-lo?

Dois fenômenos tem sido estudados como decorrentes da publicação de notícias sobre o suicídio de alguém: a imitação e o contágio.

Em razão disso a Organização Mundial de Saúde lançou um guia para profissionais de mídia com o objetivo de orientá-los quanto ao modo de como noticiar o suicídio. A versão adaptada ao português brasileiro por feita por nós e pode ser baixada aqui.

Para finalizar, apresentaremos o resumo das sugestões de como se noticiar um suicídio e alertamos o leitor de que este é um tema polêmico e muito tem se escrito sobre o mesmo, cabendo aos interessados uma investigação mais profunda.

O que fazer:
· Trabalhar em conjunto com as autoridades de saúde quando da apresentação dos fatos.
· Referir-se ao suicídio como consumado e não como bem sucedido.
· Apresentar apenas os dados relevantes, nas páginas interiores.
· Realçar as alternativas ao suicídio.
· Fornecer informações sobre formas de ajuda e recursos gratuitos disponíveis.
· Publicar indicadores de risco e sinais de aviso.

O que não fazer
· Não publicar fotografias ou bilhetes, cartas de suicídio.
· Não noticiar detalhes específicos do método usado.
· Não apresentar razões simplistas.
· Não glorificar ou sensacionalizar o suicídio.
· Não usar estereótipos religiosos ou culturais.
· Não dividir a culpa.

Nota:
Imitação constitui o processo pelo qual um suicídio exerce um efeito modelador em suicídios subseqüentes.
Contágio é o processo pelo qual um determinado suicídio facilita a ocorrência de um futuro suicídio, indiferentemente do direto ou indireto conhecimento do suicídio precedente.

Transcrição da notícia dada pela Folha de São Paulo:

Folha dá notícia de suicídio

O jornal Folha de S.Paulo e a Folha Online noticiaram, na terça e na quarta, um caso de suicídio. O caso envolvia uma participante do programa Troca de Família, da TV Record.

Ana Estela Pinto, editora de treinamento da Folha, lembra o que o manual sugere em relação a notícias sobre suicídio: “Não omita o suicídio quando ele for a causa da morte de alguém”. Mas faz uma ressalva: “Não se noticia todo e qualquer suicídio, mas também não se esconde do leitor que houve suicídio quando a morte de alguém for relevante jornalisticamente.”A mulher que cometera o suicídio era participante do reality show Troca de Família. O programa consiste em trocar as mães de duas famílias de diferentes culturas do Brasil – cópia do formato de um programa estrangeiro – e relatar as mudanças durante uma semana. O programa com a participante não entrou ainda no ar.

Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha, comenta que, apesar de esta mulher não ser famosa, participava de um programa de televisão, o que validaria a notícia. “O nome dela não aparece”, diz Silva, a respeito da versão impressa da Folha. Na Folha de S.Paulo, há uma nota com a notícia em Folha Corrida, na contra-capa de Cotidiano. A versão da Folha Online revela o nome da participante e apresenta uma foto dela. “Teoricamente seria ombudsman da Folha Online e da Folha de S.Paulo, mas não tenho tido tempo”, afirmou.

Lins da Silva dá sua opinião como jornalista: “Eu, pessoalmente, poderia não dar, porque não gosto de notícia de crime”. Como jornalista e ombudsman diz: “Não é contra o manual, não é sensacionalista”.

Rede Record tem 95% de chance de exibir o programa.

Por haver “base legal” – “a família foi consultada e existem condições técnicas”, a TV Record “tem 95% de chance de exibir o programa com a participante no Troca de Família.

Márcio Pereira de Souza
Márcio Pereira de Souza

Servidor Público, reside em São Paulo, capital e atua como colaborador na Agenda Espírita Brasil, juntamente com vários outros colaboradores de todo o Brasil que, voluntariamente, ajudam na divulgação da Doutrina Espírita.

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