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Matinê de Carnaval

fevereiro 24, 2017

Luiz não parava de perguntar à mãe que horas eles iriam sair para o clube. Seria a primeira vez que o garoto iria participar de uma matinê de Carnaval.

-Já falei filho, às três horas! Lá só começa às quatro.

Mas Luiz já estava pronto com a sua fantasia.

Uma longa capa preta, bordada com lantejoulas, cheia de pequenos espelhos e outras imagens medonhas coladas no tecido, cobria o menino do ombro aos calcanhares. Como vestuário, um largo macacão em cetim preto e amarelo dava-lhe a leveza necessária para pular a vontade. Por fim, uma máscara de tela com capuz, escondia suas belas e inocentes feições da infância por trás de um sinistro desenho que assustava até adultos.

Finalmente chegou o grande momento.

Luiz adentrou naquele imenso salão cheio de confetes e serpentinas, onde marchinhas ritmadas ao som de uma banda contagiavam a criançada que dançava afoita. Pulando e brincando, pegava os confetes no chão e jogava para o alto, extravasando a energia de sua primeira matinê.

No entorno do salão diversas mesas acomodavam os familiares das crianças. Envolvidos também naquele clima alucinante do Rei Momo, bebiam, fumavam e sacolejavam seus corpos trajados com roupas mínimas, misturando no ar da singela alegria infantil a fumaça dos vícios adultos.

Terminada a festa, Luiz voltou fatigado e feliz para casa. Em sua perspectiva ainda simples e pueril sobre a vida, sentia-se realizado. Nas telas mentais que lhe acompanhariam as lembranças da vida, registravam-se sensações de prazer associadas à fumaça, música frenética, vício, corpos pintados se estorcegando em frenesi, luzes e fantasias. Era o Carnaval.

*     *     *

Os preparativos para a festa pagã começam muito antes do mês de fevereiro. Entidades sombrias arrebatam em desdobramento aqueles que se afinizam com o evento para regiões inferiores, onde se encontra vasto material que lhes serve de inspiração e modelo para as tenebrosas fantasias.

Com a aproximação da festividade, centenas de espíritos infelizes, atraídos pelas tramas que se preparam, conectam-se com aqueles que antecipam em suas telas mentais cenas de vingança, homicídios, orgias, traições, uso de drogas, dentre outras.

Durante o Carnaval, a turba de espíritos desequilibrados e em número muito maior que os encarnados segue a multidão. Envolvidos pela ilusão das alegorias, bebidas, batuques e do apelo sexual dos corpos seminus, muitos nem se dão conta das conexões psíquicas que disponibilizam para a grande massa de entidades dispostas a tudo para darem início a processos obsessivos. 

A psicosfera das cidades também sofre alterações. A sintonia entre os dois planos, material e espiritual, ávidos por exteriorizar desejos contidos no desequilíbrio e no vício das paixões, gera uma malha campos mentais interligados por meio de simbiose psíquica, criando uma psicosfera densa e pestilenta que envolve principalmente os centros de grande agitação.

Passado os quatro dias de torpor os efeitos ainda continuam sendo percebidos por muitos. Desajustes nos lares decorrem das traições e das dívidas contraídas para suprir gastos demasiados; processos abortivos são levados a efeito devido às gravidezes indesejadas; desencarnes decorrem do uso abusivo de drogas e da invigilância com as limitações físicas; doenças inesperadas se desenvolvem furtando a saúde dos incautos; além de tantos outros resultados que podem levar a criatura a contrair débitos reparáveis somente após diversas encarnações.   

O Espiritismo não tem por objetivo atirar a primeira pedra, respeitando quaisquer manifestações culturais legitimadas na fase de evolução intelecto-moral na qual o ser humano se encontra na Terra. Seguindo os exemplos do Nazareno, a Doutrina Espírita busca nos esclarecer da necessidade do progresso, do amor e da caridade, os quais são os faróis que nos guiarão para a verdadeira felicidade.

Que possamos fazer uso dessas luzes no exercício de nosso livre arbítrio, seja no Carnaval como também em todos os momentos de nossas vidas.

Márcio Martins da Silva Costa.

 

Referência:
Miranda, Manoel P. de Miranda (Espírito). Nas Fronteiras da Loucura. Psicografia de Divaldo P. Franco.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://ivanmachadoarte-educao.blogspot.com.br/2012/02/bate-bola-ou-clovis-e-cultura-que.html>. Acesso em: 23FEV2017.

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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