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Uso da Escala Espírita

fevereiro 5, 2017

orson-peter-carraraSabemos todos, pelo estudo da Escala Espírita, apresentada por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos (questão 100 e seguintes), que os Espíritos pertencem a diferentes estágios de moralidade e intelecto, estágios esses alcançados pelo próprio esforço e pela força do progresso, que é lei para todos. O entendimento prévio da importante classificação apresentada pelo Codificador evita possíveis decepções quanto às manifestações, fenômenos e pseudo-orientações apresentadas no intercâmbio com os encarnados. Uma vez sabedores dessas diferenças, estaremos prevenidos contra tentativas de mistificação e fraude por eles arquitetadas. E igualmente estaremos demonstrando um bom nível de discernimento na recepção de orientações que surjam através de médiuns.

Na Revista Espírita(1), de julho de 1859, no Pronunciamento do Encerramento do ano social 1858-1859, feito por Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, dentre os vários assuntos focados, destacamos trecho de máxima importância para nossas reflexões:

“(…) saibam, pois, que tomamos toda opinião manifestada por um Espírito por uma opinião individual; que não a aceitamos senão depois de tê-la submetido ao controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência Espírita nos fornece, meios que todos vós conheceis. (…)”.

Observemos a curiosa observação de Kardec: “controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência Espírita nos fornece”. A lógica sugere e solicita que tudo que venhamos a receber dos Espíritos, por via mediúnica, seja submetido à avaliação do raciocínio e bom senso. Se escapar deles, que seja rejeitado.

Como orienta Erasto:
“(…) Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai, desassombradamente, o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” (…) (capítulo XX, item 230 de O Livro dos Médiuns).

Sob o ponto de vista da investigação, eis aí um critério que qualquer estudioso Espírita pode usar com tranquilidade: basta observar, atentamente, o que ocorre à nossa volta ou que venha dos Espíritos. A investigação, sugerida pela Ciência Espírita, é, exatamente, submeter todos os fenômenos e ocorrências mediúnicas (e até mesmo anímicas (2), acrescentamos) ao critério dos fundamentos e princípios apresentados pelo Espiritismo. Estão coerentes? Ferem os fundamentos doutrinários? Sem esquecer que, simultaneamente, podemos também efetuar pesquisa, através de anotações, acompanhamentos e métodos de experimentação.

São pois, controles bem seguros: uso da lógica e investigação dos fatos. Estes são a comprovação daquilo que se pesquisa ou se busca. A lógica, por sua vez, coloca frente a frente o fato com a referência que o raciocínio oferece, sempre como fruto da observação, da experiência e da própria história e fundamentação dos reais fenômenos das manifestações dos Espíritos.

Apoiados nestes dois critérios, não há o que temer, desde que nos desarmemos da negação simplesmente por negação, das implicâncias e preferências de ordem pessoal e nos coloquemos no neutro terreno de quem quer conhecer e aprender, descobrir e investigar pelo prazer de aprimorar o conhecimento.

É oportuno recordar que Cairbar Schutel – fundador do jornal O Clarim e da Revista Internacional de Espiritismo –, no livro Médiuns e Mediunidades (3), justamente estudando a questão mediúnica e com embasamento em O Livro dos Médiuns, traz importante esclarecimento.

Na Exposição Preliminar, Cairbar declara:
“(…) em vez de ser uma explanação, com larga dissertação de O Livro dos Médiuns, esta obra é dele um resumo. (…) O Espiritismo, exposto aos leitores em síntese, tal como o fazemos, proporciona duas vantagens bem nítidas: primeira, a de dar àqueles que nos lêem a expressão nítida, clara, racional da sua doutrina, que abrange as esferas religiosa, filosófica e científica; segunda, a de guiá-los a mais altos empreendimentos, infundindo-lhes nas almas o desejo de aprofundar a Revelação nova, que veio iniciar uma nova era no progresso dos povos. Tal é nosso intuito ao lançar à publicidade este livrinho, em cujas páginas, estamos certos, os leitores encontrarão alguma coisa de proveito (…)”.

É o que nos ensina também a atenta observação nos estudos com a Escala Espírita, indicando os diferentes estágios de progresso dos Espíritos, progresso esse que pode ser estimulado de forma abrangente com a difusão do Espiritismo.

Orson Peter Carrara

Referências Bibliográficas:
[1] 2ª edição (1995) do IDE-Araras, tradução de Salvador Gentille. O destaque em negrito é do autor da presente abordagem.
[2] Vide capítulo VI da segunda parte, na citada obra.
[3] Edição da Casa Editora O Clarim, de Matão (SP).

Nota do Editor:
Imagem emdestaque disponível em <http://www.superiorwallpapers.com/miscellaneous/white-high-ladder-to-the-sky-among-the-clouds_1920x1200>. Acesso em 06FEV2017.

 

Orson Peter Carrara
Orson Peter Carrara

Expositor espírita, tem percorrido muitas cidades do Estado de São Paulo e já esteve na maioria dos estados do país, por várias vezes, para tarefas de divulgação espírita. Articulista da imprensa espírita, tem colaborado com diversos órgãos da imprensa espírita, entre revistas, sites e jornais do país, além de boletins regionais, no país e no exterior. Autor de treze livros, seus textos caracterizam-se pela objetividade e linguagem acessível a qualquer leitor, estando disponibilizados em vários sites de divulgação espírita.

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