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A Cruz e Jesus

fevereiro 1, 2017

O Espiritismo entende como desnecessária a utilização ritualística de objetos materiais, quaisquer que sejam seus significados para outrem. Não há, nesse entendimento, nenhum desdém aos que dão aos objetos alguma importância, pois o espírita aprende desde o início de sua jornada doutrinária quão importante é respeitar a convicção da fé alheia.

A peculiaridade do Espiritismo está no foco a que se dedica: auxiliar a moralizar a alma, ensinando-a a perceber o potencial superior que recebeu de Deus e mostrando que depende dela utilizá-lo, escolhendo o amor como estrada da evolução.

Desse modo, o Espiritismo mostra um caminho em que todos os que o buscam percebem que Deus ajuda o ser humano tanto quanto ele se ajuda, ao buscar o caminho mais reto na ascensão espiritual, sem necessidade de muletas, ritos ou senões.

Ainda que se saiba que os objetos têm seu valor e utilidade para aqueles que os consideram importantes, para os espíritas tendem a tornar-se irrelevantes enquanto instrumentos de fé, pois sua fé é espiritual, interna, não dependente de simbologias, mas estimulada pelo estudo e observação. Afinal, como nos disse Kardec:

“a fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu” (ESE, Cap. XIX)

Por essa razão, ainda que seja cristã, a Doutrina Espírita não se detém nem mesmo na cruz. Não há nenhuma necessidade ou exigência de um Centro Espírita expor a cruz ou um espírita utilizá-la. O Cristo deve morar nos templos religiosos e na alma pela natureza de suas afinidades, pois imagens e palavras são vazias quando não revestidas de fé, atitude e amor.

Se, ainda assim, a cruz for utilizada por um espírita, não o será religiosa, mística ou, obrigatoriamente, significará apenas que ele carrega a imagem de alguém querido, pois o espírita sabe que ela, por si, não o tornará melhor.

O maior milagre que podemos desejar não é tornarmo-nos bons pela devoção à cruz ou outro objeto, mas nos construirmos bons através do exemplo de conduta e do puro amor que Jesus ensinou. Não precisamos da cruz, mas do sentido de sua existência, pois Jesus vive e sempre viverá em nós.

Vania Mugnato de Vasconcelos

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://www.shutterstock.com/video/clip-8257633-stock-footage-hands-of-a-woman-holding-a-crucifix-while-praying-quiet-scene-of-person-living-a-daily-devotional.html>. Acesso em: 01FEV2017.

Vania Mugnato de Vasconcelos
Vania Mugnato de Vasconcelos

Advogada, Bacharel em Serviço Social, pós-graduada em Recursos Humanos. Casada, mãe, espírita desde os 12 anos de idade, palestrante em vários centros no interior de São Paulo. Trabalhadora do CE João Batista de Jundiaí – SP, atua na casa como palestrante e Coordenadora do Grupo de Pais. Discípula de Jesus pela Aliança Espírita Evangélica do ABC, é oradora em casas espíritas vinculadas à USE Regional Jundiaí. Também é oradora em seminários realizados pelo Instituto Chico Xavier de Itu, em parceria com outros trabalhadores da seara espírita. Articulista espírita em redes sociais, jornais e blogs, seus textos e poemas estão disponíveis ao público na internet, bem como possui canal de vídeos no Youtube contendo palestras e estudos espíritas.

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