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O Dia dos Mortos

novembro 1, 2016

antonio_carlos_navarroUma vez mais a convenção humana nos traz o dia de Finados, o chamado Dia dos Mortos.

Sobre a morte, transcrevemos abaixo o belíssimo texto do poeta Gibran Kahlil Gibran intitulado “A Morte”:

“Depois Almitra pediu:

Queríamos que falasses agora da Morte.

E ele respondeu: Vós conheceis o segredo da morte.

Mas como o encontrareis a menos que o procureis no âmago do coração?

O mocho cujos olhos noturnos são cegos para a claridade, não pode desvendar o mistério da luz.

Se quereis verdadeiramente conhecer o espírito da morte, abri o vosso coração até ao corpo da vida.

Pois vida e morte são uma só, tal como o são o rio e o mar.

Na profundeza dos vossos desejos e esperanças está a consciência silenciosa do além; e tal como as sementes que sonham sob a neve, também o vosso coração sonha com o desabrochar.

Confiai nos sonhos, pois neles está a porta para a eternidade.

O vosso medo da morte não é mais do que o temor do pastor quando se vê perante o rei que ergue a sua mão para o honrar.

E sob a sua tremura, não está feliz o pastor, por trazer em si a insígnia do rei?

E, no entanto, não está mais consciente do seu tremor?

Pois o que é morrer senão ficar nu ao vento e fundir-se com o sol?

E o que é deixar de respirar senão libertar a respiração das suas inquietações a fim de ela poder elevar-se e expandir-se até Deus?

Só quando beberdes do rio do silêncio sereis capazes de cantar.

E quando chegardes ao cimo da montanha, podereis então começar a subir.

E quando a terra reclamar o vosso corpo, então sereis verdadeiramente capazes de dançar.(1)

Exala do poema a naturalidade com que deveríamos vivenciar nossa relação com a morte, e a vida transbordante no além.

A Doutrina Espírita nos ensina que a qualidade da vida no além sempre é consequência das nossas ações e valores, sentimentos e intenções, que distribuímos ao longo da vida física.

Independente da qualidade de vida no além, uma coisa é certa, esta separação é momentânea e está relacionada ao sentimento e emoção provocados pela separação física que a morte impõe.

Mais tempo, menos tempo, há de se encontrar com os que já se foram, ou ainda, com os que ficaram. É um ciclo natural com o qual precisamos nos acostumar, e mais fácil o será quanto mais estudarmos as lições da Doutrina Espírita, porque enquanto estivermos sujeitos aos ciclos da reencarnação sempre será uma questão de tempo, tanto para a vida, quanto para a morte, como nos afirma o livro do Eclesiastes:

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.” (2)

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

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Referências:
(1) O Profeta, Gibran Kahlil Gibran; e
(2) Bíblia Sagrada, Velho Testamento, Eclesiastes 3:1-20

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://www.shutterstock.com/pt/video/clip-5075153-stock-footage-male-caucasian-tourist-trekking-walking-along-narrow-footpath-at-himalayan-mountains-nepal.html?src=rel/5075150:0/gg>.
Acesso em: 01NOV2016.

Antônio Carlos Navarro
Antônio Carlos Navarro

Estudioso e palestrante espírita. Trabalhador do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP

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