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A paixão aproxima, mas apenas o amor une

outubro 1, 2016

wellington-balboÉ muito comum falar-se em amor à primeira vista. Isto é, quando os olhares cruzam, a espinha esfria e as borboletas cantam no estômago. Ela diz que encontrou o príncipe. Ele diz que está ao lado de uma princesa. Os anos, porém, passam e ele depara-se com a gata borralheira. Ela, por sua vez, tira os óculos da ilusão e enxerga no antigo príncipe um sapo, não raro portador de uma saliente barriga de chope.

E quando voltam o olhar ao passado pensam: meu Deus, como fui achar que isso era amor?

Eis a verdade batendo na porta.

Realmente não era amor, apenas paixão. A paixão tem um objetivo dos mais nobres: aproximar as pessoas. Cria uma espécie de miopia que faz maximizar os pontos fortes e minimizar os pontos fracos.

A paixão é obra do presente. É encontro, momento, instante. A paixão é avassaladora, ela não raciocina, não reflete. A diferença do amor é que este é oposto da paixão, pois contempla o passado e faz com que, em muitas ocasiões, o sapo que hoje ostenta uma barriga de chope seja considerado um príncipe, claro que não de conto de fadas, mas da vida real. E este príncipe é aquele que esteve ao nosso lado quando precisamos, não nos abandonou na morte do pai, ficou conosco na dificuldade financeira, educou as crianças, discutiu, discordou, e, como mostra uma famosa imagem, mesmo contrariado colocou sobre nossa cabeça o próprio guarda-chuvas enquanto a tempestade desabava.

O amor é quando ele olha para o passado e vê quantas vezes a “gata borralheira” fez-se presente em sua vida, mesmo a reclamar pelos cantos da casa ou vitimada por bombas hormonais, esteve firme ao seu lado e, com frequência, a sua frente. O passado, quando visitado com os olhos do amor, faz com que a “gata borralheira” seja a grande princesa de nossa vida.

E já não há mais borboletas cantando no estômago, tampouco frio na espinha, contudo, há cumplicidade, vontade de estar perto, desejo de continuar partilhando bons e maus momentos, tão naturais na efêmera existência humana.

Paixão e amor… Amor e paixão… são tão diferentes, porém, quase inseparáveis.

Seria o amor a paixão sofisticada?

Quem sabe…

O que sei é que a paixão admira o presente.

Já o amor… Ah, o amor admira o presente, não esquece do passado e planeja o futuro.

Diz Kardec: “a Natureza deu ao homem a necessidade de amar e ser amado”.

Amar vem primeiro, ser amado depois.

Certa vez uma moça chegou até Divaldo Franco e desabafou:

– Não encontro o homem ideal, namorei várias pessoas, mas nenhuma ideal.

E Divaldo, sábio, convidou-a a reflexão:

– Você já buscou ser a mulher ideal para alguém?

O amor está em tudo e em todos e, mais importante: o amor jamais busca a pessoa ideal, o príncipe ou a princesa. Ao contrário, o amor busca ser para o outro a pessoa ideal, em suma, o príncipe e a princesa.

Quanto à paixão?

Bem, ela já cumpriu seu objetivo: aproximou sapos e gatas borralheiras, ou sapos e sapos, gatas e gatas.

A paixão aproxima, mas apenas o amor une.

Pensemos nisso.

Wellington Balbo

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://relacionamentoecotidiano.blogspot.com.br/2012/06/dia-de-chuva.html>. Acesso em 01OUT2016.

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Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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