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Diante da droga e da violência busquemos Jesus

abril 4, 2016

jorge-hessenO tráfico de drogas é um crime globalizado e desencadeia muitos outros crimes, tais como furtos e roubos, cujos índices demonstram que crescem a cada dia, principalmente entre seus usuários. As estatísticas mostram, igualmente, que a violência cresce à medida que aumenta a distribuição de drogas em determinadas regiões. Os governos deveriam ter um importante papel nessa questão das drogas, ou seja, saber aliar medidas de repressão a alternativas outras para os jovens e promover o desenvolvimento social nessas áreas. É mister reprimir os criminosos, obviamente. Porém, junto a isso, urge o envolvimento, também, da sociedade em todo esse contexto, nas áreas onde eles atuam. Até porque, grande parte das dificuldades para controlar a criminalidade, deve-se à falta de investimento em programas culturais, em atividades esportivas e em áreas de lazer para esses jovens, e, fundamentalmente, a falta de infraestrutura por parte do Estado.

Desse modo, a ausência do Estado forja os líderes do crime que “governam” as comunidades com as suas próprias “leis”. É importante que todo governante invista em projetos de asfaltamento de ruas, ampliação da iluminação pública, recuperação das praças, construção de escolas e postos de saúde, controle dos horários dos estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas nos locais mais afetados pela criminalidade. São medidas eficazes para reduzir a barbárie da violência urbana.

Infelizmente, a violência se fixou em caráter permanente em vários pontos do planeta. Em face disso, presenciamos os estertores urbanos das batalhas bélicas que têm aniquilado as bases da racionalidade humana.  O problema das drogas tornou-se uma calamidade pública, ceifando milhares de vidas e movimentando, interna e externamente, um dinheiro incalculável. Porém, por mais que o governo e a polícia combatam traficantes, nada será eficaz para lutar contra as drogas, senão a prática do Evangelho dentro do princípio do amor a Deus e ao semelhante.

Em nosso País, as penitenciárias, de hoje, lembram bastante as masmorras medievais. Os cárceres, atualmente, não servem para educar, pelo contrário, neutralizam a formação e o desenvolvimento de valores intrínsecos, estigmatizando o ser humano. As penitenciárias vêm funcionando como máquinas de reprodução da criminalidade. Tudo agravado pelo péssimo ambiente prisional, pela ausência de atividades produtivas e pela superlotação carcerária. Fatos esses que nos levam a testemunhar, pela mídia, as mais cruéis cenas de refrega entre criminosos e policiais, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo.

É evidente que as prisões são necessárias à detenção do infrator violento e perigoso, que se constitui em ameaça concreta para a sociedade, porém, ao infrator de menor potencial ofensivo, sem características de violência, devem ser aplicadas as “penas alternativas”, lamentavelmente, ainda, muito pouco aplicadas no País. Em verdade, a violência de todos os matizes deslustra as conquistas sociológicas deste século. A brutalidade humana tem esmaecido o caminho para Deus. Até mesmo muitos de nós, espíritas, condenamos a violência alheia, no nosso dia-a-dia, ao invés de agirmos de forma pacífica e fraterna. Somos quais títeres, reagindo sempre de acordo com o que motivou a nossa indignação.

Analisando este quadro, fica explícita a condição de nosso mundo de expiações e provas, que se caracteriza pelo “domínio do mal”. É necessário que identifiquemos, com mais profundidade, os agentes determinantes desse processo, para podermos intervir com racionalidade em nossa esfera de ação.

Quem estuda o Espiritismo, e se esforça por praticar seus preceitos, vê-se melhor instrumentalizado para a vida em sociedade nos tempos atribulados em que vivemos, encontrando conceitos lógicos e racionais para o entendimento da vida numa visão evangélica consciente. Os postulados Espíritas são antídotos para a violência, posto que quem o conheça, sabe que não se poderá eximir das suas responsabilidades sociais e que o seu futuro será uma decorrência do presente. Nesse contexto, devemos considerar que o espírita-cristão deve se armar de sabedoria e de amor para atender à luta que vem sendo desencadeada nos cenários da sociedade, concitando à concórdia, em qualquer conjuntura anárquica e perturbadora da vida moderna.

Torna imprescindível praticarmos o Evangelho nos vários setores da sociedade, contribuindo com a parcela de mansidão para pacificá-la. O homem moderno ainda não percebeu que somente a experiência do Evangelho pode estabelecer as bases da concórdia, da fraternidade e constituir os antídotos eficazes para minimizar a violência que ainda avassala a Terra.

As Casas Espíritas, como Prontos-Socorros espirituais, muito podem contribuir no trabalho de prevenção e auxílio às vítimas das drogas, nas duas dimensões da vida, através de medidas que os incentivem ao estudo das Leis de Deus. O Centro Espírita, além de estimular as famílias à prática do Evangelho no Lar, oferece recursos socorristas de tratamento espiritual: passe, desobsessão, água fluidificada, atendimento fraterno (trabalho assistencial que enseja o diálogo, a orientação, o acompanhamento e o esclarecimento, com fundamentação doutrinária a todos, indistintamente).

Destarte, intensifiquemos e aprimoremos cada vez mais as ações de ordem preventiva e terapêutica, já em curso em nossas Casas Espíritas, que nos casos de maior gravidade dos nossos assistidos, encaminhamos às instituições espíritas de socorro específico, clínicas, sanatórios, hospitais, etc.

Que nossas Casas Espíritas estejam sempre em sintonia com os ensinamentos das Obras Básicas e seu propósito de bem concorrer para a ascensão espiritual da criatura humana às faixas superiores da vida.

Jorge Hessen

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em
<http://blogdoyogue.blog.uol.com.br/arch2008-07-01_2008-07-31.html>.
Acesso em: 04ABR2016.

Jorge Hessen
Jorge Hessen

Servidor Publico Federal, residente em Brasília, palestrante,
escritor, articulista em diversos jornais e sites, com textos publicados na Revista Reformador da FEB, O Espírita de Brasília, O Imortal, Revista Internacional do Espiritismo, entre outros e além de Conselheiro da Revista Eletrônica O Consolador.

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