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A felicidade e a depressão

janeiro 8, 2016

abel-sidney“O homem contemporâneo é mais feliz que seus antepassados, porque dispõe de mais meios para ser ditoso”, sublinha o psiquiatra espanhol Luis Rojas Marcos, autor do livro Nossa felicidade, lançado em 2000.

O seu prognóstico para o futuro imediato, naquele momento, era de que não faltariam “homens e mulheres angustiados” em razão da tendência de pensarmos que “vivemos os piores momentos de nossa existência”.

Daí, então, a busca de um tempo perdido, no passado, quando teríamos sido felizes… A felicidade, sabemos, é construída e resulta de pequenos momentos. O melhor momento para vivê-la, deste modo, é agora. Nem ontem, nem amanhã.

A idéia de que devamos viver o momento presente é também lição de espíritos orientadores como Joanna de Ângelis: “Se desejas ser feliz, vive, cada momento, de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção”.

Os ladrões da felicidade para Marcos são: a dor, o medo, o ódio e a depressão. Esta última é considerada “o ladrão de felicidade mais infeliz e perigoso do nosso tempo”, por nos roubar a esperança, o que pode nos levar à própria autodestruição.

As novas gerações, embora tenham nascido com mais recursos à disposição “são mais pessimistas e sofrem mais com o tédio”, complementa. São, portanto, mais vulneráveis.

Diversos fatores têm sido combinados e explicam “a proliferação da depressão”:

  • A crescente glorificação do individualismo que fomenta a competitividade;
  • O sentimento de fracasso pela busca obsessiva de status social;
  • A frustração pelo desequilíbrio entre nossas aspirações e nossas oportunidades;
  • A responsabilidade pessoal por nossos êxitos e fracassos e
  • O crescente número de separações familiares.

Apesar deste quadro, ele acredita que, graças aos avanços médicos e farmacológicos, em mais de 90 por cento dos casos os pacientes “melhoram sensivelmente ou se curam” se diagnosticados a tempo.

Sua descrição da depressão, simples e direita, envolve mais de um sintoma:

tristeza, falta de vontade de viver, apatia, indiferença, violência…

O combate à depressão, na época do lançamento do citado livro, estava circunscrito aos recursos médicos e farmacológicos da época. Ao lançar, em 2013, Os segredos da felicidade este autor amplia a sua visão de mundo: “O instinto de felicidade funciona mesmo nas situações mais difíceis. Nós nascemos com a necessidade de nos sentirmos bem”.

Diz ser importante avaliarmos nosso próprio “estado imunológico e emocional” e também as características intrínsecas “que nos protegem e nos ajudam a superar situações difíceis na vida”. O papel do paciente, como se vê, amplia-se consideravelmente!

Um dos meios aconselhados para alcançarmos a felicidade é “falar, contar histórias…”, pois ao nos referirmos a “algo que não estejamos entendendo bem” acabamos por organizar o pensamento “e passamos a ver sentido nos acontecimentos”.

Joanna de Ângelis, por outro lado, complementando o que foi exposto, afirma:

É fundamental a participação do doente no processo de cura.

O deprimido é um enfermo e a depressão uma doença que exige tratamento adequado.

Não é sentir-se desgostoso e aborrecido temporariamente; sentir uma vaga tristeza, mas trata-se de um mal instalado, que exige, não poucas vezes, ação medicamentosa.

O paciente deve trabalhar-se sem autopiedade “nem autopunição para reencontrar os objetivos da existência”.

A autopiedade ou o mal do coitadinho é um desses complexos que nos atinge, pois tendemos a sentirmos dó de nós mesmos, o que pode piorar o nosso quadro emocional.

Como se não bastasse a autopiedade, ainda acrescentamos a autopunição, alimentada pela ideia de que Deus, em face dos nossos erros, nunca nos perdoará…

O esforço pessoal é fundamental no processo de cura.

O paciente deve acionar as forças da vontade, buscando, com humildade, o reforço dos recursos alheios – o apoio, o amparo, o afeto dos amigos e dos familiares, a religação com o Invisível, com a Divindade.

A busca da consciência de si mesmo pode promover a liberação das fixações da “idéia depressiva, da autocompaixão”, propiciando “renovação mental e ação construtora”.

É necessário descobrirmos nossos talentos ocultos. Isso nos exigirá mais esforço de raciocínio, mais altos voos, mas nos fará sentir espíritos imortais, herdeiros de Deus.

A isso tudo costumam denominar de autocura, que pode e deve ter como complemento a desobsessão, o passe, a água fluidificada.

A terapia espírita, como complemento, é fundamental, mas não deve ser exclusiva, caso a intervenção dos profissionais da saúde e o uso de medicamentos seja necessário.

A resistência dos pacientes e familiares ao tratamento geram “complexidades e dificuldades”. Em casos extremos, o paciente se abandona ou mesmo se suicida.

Como se pode perceber, o processo de cura deve contar com a participação do próprio paciente; dos seus familiares; dos colegas de trabalho e do ambiente ou psicosfera existente em sua volta, que pode afetar, positiva ou negativamente, o tratamento.

Cuidemos, pois, uns dos outros e sigamos em frente resistindo e perseverando, aprendendo a amar e a ser feliz, serenamente.

Abel Sidney

 

Referências Bibliográficas:
FRANCO, Divaldo Pereira. Amor Imbatível Amor (pelo espírito Joanna de Ângelis). Salvador: Livraria Espírita Alvorada, 2002.
ROJAS MARCOS, Luis. Nuestra Felicidad. Madri: Espasa Calpe, 2000.
___________. Secretos de la felicidad. Madri: Espasa Calpe, 2013.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em
<http://happiness-beyond-belief.com/brain/depression/>.
Acesso em: 08JAN2016.

Abel Sidney
Abel Sidney

Formado em Ciências Sociais e Administração de Empresas, por longos anos trabalhou como professor. Desenvolveu, em paralelo, um programa de incentivo à leitura e escrita e, em razão disso, tornou-se também editor. Participa do movimento espírita em Porto Velho - RO.

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