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A Disciplina pela Educação

dezembro 23, 2015

francisco_rebouçasFrequentemente ouvimos comentários proferidos por pais, familiares, professores e por variados representantes da sociedade em geral sobre o comportamento indisciplinado, inadequado e até mesmo desrespeitoso vivenciado em nossos dias, por crianças e jovens de todas as faixas etárias.

Palavrões, brigas, desrespeito aos mais velhos, desleixo, indiferença, preguiça, teimosia, iniciação sexual precoce, gravidez na adolescência, fumo, bebida, pichações, etc., dentre outros tantos exemplos podem ser citados, caracterizam esses comportamentos infelizes que infesta nossa sociedade em todas as suas camadas, não sendo privilégio de negro, branco, rico, pobre, sexo feminino ou masculino.

Com tristeza, chegamos facilmente à conclusão de que se olharmos o problema de forma neutra e raciocinada, nós pais somos os grandes responsáveis pelo comportamento equivocado de nossas crianças e jovens, pois eles são tão somente o reflexo de uma sociedade desordeira que ajudamos a construir, investindo tudo na formação intelectual dos nossos filhos e esquecendo-nos de que eles são antes de tudo filhos de Deus, seres eternos, trazendo consigo tendências e aptidões, que devem ser lapidadas por todos nós responsáveis perante Deus pela sua educação e aprimoramento.

A formação moral é, normalmente, relegada ao segundo plano ou transferida para a escola, como se a escola tivesse a capacidade de substituir o papel dos pais na formação moral de nossos filhos para que tivéssemos mais tempo para a busca desenfreada de aquisições da posse de bens materiais para nosso deleite.

Há ainda a situação delicada das crianças filhas de pais separados, que empurram um para o outro a responsabilidade da educação dos filhos, e que por razões diversas nem sempre conseguem atender convenientemente as carências das crianças, e ainda colaboram para esse comportamento rebelde, pois se tratam em muitos casos de forma desrespeitosa na frente dos próprios filhos, com brigas infindáveis, ódios, disputas judiciais e desejo de vingança, atitudes tais que nada de positivo acrescentam na formação de um comportamento educado, como deveria ser.

Por conta dessa atitude irresponsável, a televisão e os celulares e etc. assumiram na atualidade o papel de companheiros e educadores de muitas de nossas crianças e jovens que passam mais tempo praticando os jogos eletrônicos alguns com altos índices de violência ou assistindo a programas sem nenhum conteúdo moral, recheados de pornografia e traições, ao invés de estar em sala de aula ou com atividades úteis à formação de seu caráter como membro ativo e futuro de nossa sociedade.

Considerando essa variedade de fatores que, até certo ponto, explicam os problemas apresentados por nossas crianças e jovens, nós não podemos esquecer também que eles são Espíritos reencarnados, trazendo tendências e aptidões desenvolvidas em vidas passadas e que os mesmos possuem afetos e desafetos no mundo espiritual, influenciando-os direta ou indiretamente o comportamento. E, como em regra geral, somos devedores da Lei maior, essa influência é na maioria das vezes prejudicial, perniciosa e negativa.

Foi por essa razão que Deus, a Inteligência Suprema, entregou-nos esses espíritos em forma de criancinhas indefesas, prontas para que pudéssemos moldá-las sob nossos cuidados desde cedo, para que cresçam e se desenvolvam de forma equilibrada, não somente no aspecto físico do pequenino ser, mas, principalmente, nos aspectos moral e espiritual, que são, na verdade, do que eles mais carecem, motivo pelo qual aqui estão de volta.

Por isso é que se faz imprescindível procurarmos desenvolver a disciplina no aspecto Preventivo, que é aquela trabalhada pelos pais desde a gestação, manifestando o sincero desejo de receber o futuro filho, acariciando-o desde sua concepção quando ainda na barriga de sua futura mãe, envolvendo-o em vibrações de amor e paz, estendendo-se por todas as fases do desenvolvimento biopsicossocial da criança.

À medida que o pequenino ser vai crescendo, faz-se necessário que os pais comecem a estimular em seus filhos a disciplina externa que é necessária para estruturar a interna, pois que a criança entregue a si mesma, dificilmente, disciplina-se. A presença e o exercício da autoridade paterna e materna são indispensáveis na construção da sua autonomia, destacando-se nessa fase a colocação de limites e regras a serem respeitadas.

É agindo desde cedo no cuidado com a educação de nossos filhos que evitaremos mais tarde o recurso duro da disciplina no seu sentido Punitivo, que é aquela aplicada nos presídios, nos lares onde os pais corrigem com violência seus filhos, nos países onde o crime é punido com outro crime (pena de morte, etc.), e que, inevitavelmente, não promove, nem remove as causas da indisciplina.

O homem deve se espelhar no exemplo que nos dá a mãe natureza que possui uma disciplina sem a qual os mares invadiriam as regiões continentais, os continentes gelados se derreteriam, as cadeias alimentares entrariam em desequilíbrio, os planetas colidiriam uns com os outros e que o não seguimento das lições que recebemos por obra da vida incessante, nos levaria a incorrer num grave erro de associar disciplina a surras e agressões, o que não é recomendado, pois esse tipo de postura já é violência e não disciplina.

Como bem descreveu a respeito dessa forma de disciplinar Pedro de Camargo no livro O Mestre na Educação: “Para bem agirmos em prol do saneamento, precisamos partir do seguinte princípio: o crime não é o criminoso, o vício não é o viciado, o pecado não é o pecador, o doente não é a doença. Assim como se combatem as enfermidades e não os enfermos, assim também se deve combater o crime, o vício, e o pecado, e não o criminoso, o viciado e o pecador”.

Theobaldo Miranda Santos no livro Noções de Filosofia da Educação afirma: “os castigos ministrados com raiva até acentuam a revolta da criança. É necessário que ela perceba na correção de que é objeto o propósito de seu aperfeiçoamento”.

A verdadeira disciplina a ser desenvolvida por nós os pais há de ser aquela que um dia leve com amor e carinho os nossos rebentos a Reparar o mal que hajam praticados, de maneira a corrigir o que errou, consertar o que quebrou, repor o que retirou, desculpar-se com quem ofendeu, fazendo sempre a ação contrária e correta a que foi considerada uma indisciplina, conscientizado do seu erro, e buscando de maneira adequada a extinção da ação negativa.

Esta é a única forma que entendemos como capaz de ir até as causas reais da indisciplina, que se localiza no Espírito Imortal que Allan Kardec diz que residem no instinto de conservação exagerado e no desconhecimento do passado e do futuro do Espírito. Somente esse conhecimento poderá minimizar a crença na superioridade individual, orgulho e egoísmo que conduzimos em nosso cerne.

É com a disciplina reparadora que a criança conseguirá ser um adulto realizado, nas palavras de Joanna de Angelis: libertando-se de sentimentos de culpa, da censura social, estruturando sua disciplina interna e utilizando seu livre-arbítrio sempre para o bem, para o positivo.

Allan Kardec diz-nos em O Céu e o Inferno: “Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; mas só a reparação, contudo, pode anular o efeito, destruindo lhe a causa”.

Finalizando, queremos enfatizar a necessidade urgente de investirmos cada vez mais na educação do espírito imortal, se pretendemos fazer da Terra um mundo feliz, habitado por homens inteligentes e bons, regidos pela disciplina da paz e do amor. Agindo assim, estejamos certos de que contribuiremos de maneira positiva para uma sociedade mais justa e equilibrada, solidificada nas ações nobres do respeito, do trabalho e da justiça, contribuindo para a saúde psíquica da nossa juventude e, por consequência, da nossa sociedade e por fim do nosso planeta.

Que Jesus nos guie e nos guarde, hoje e sempre!

Francisco Rebouças

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://www.coisademulher.info/2015/02/10-dicas-para-economizar-agua-com-a-ajuda-das-criancas/>. Acesso em 23DEZ2015.

Francisco Rebouças
Francisco Rebouças

Pós-Graduado em Administração de Recursos Humanos, Professor, Escritor, Articulista de diversos veículos de divulgação espírita no Brasil, Expositor Espírita, criador do programa: "O Espiritismo Ensina".

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