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A legitimidade do sofrimento

novembro 15, 2015

“E a tua vida mais clara se levantará do que o meio dia; ainda que haja trevas, será como a manhã.” [1]

jane-maiolo-300x318“Coragem, meu filho! O Senhor não desampara!”, afirmava o Benfeitor Clarêncio ao espírito André Luiz, na ocasião do resgate nas regiões de penumbra do mundo espiritual, conforme a narrativa contida no livro Nosso Lar. [2].

O alento chegava com a vibração do consolo e da humildade daquela alma generosa que se prontificava a socorrer aqueles irmãos infelizes presos ao remorso, sofrimento e dor.

É fato que todos nós, seres humanos em processo evolutivo, desejaríamos ouvir palavras nunca dantes ouvidas, sentenças que de alguma forma nos acalentassem, nos esclarecessem, nos confortassem e até mesmo nos livrassem da aflição instantaneamente.

Vez por outra questionamo-nos sobre de onde viriam tais alentos, ou quando encontraríamos soluções para nossas aflições e esclarecimentos para as nossas mais intensas amarguras?

Esquecemos, por vezes, que somos transeuntes e que a hospedagem no corpo físico é breve e ligeira para alguns e penosa, sombria e acerba para outros.

Entender os mecanismos da vida é tarefa laboriosa que não se conclui em uma única reencarnação. Estamos indo e vindo nesta complexa busca pelo entendimento, sabedoria e elevação da nossa condição de espíritos eternos, filhos de Deus, criados para a plenitude.

Sem sombra de dúvidas os ensinamentos do Cristo são de uma singularidade inigualável. Por mais que os homens tentaram mutilar, adulterar ou minimizar a dimensão dos seus princípios, tudo o que restou, enquanto material de reflexões em torno da transcendência, serve de roteiro divino para a nossa conquista e domínio das nossas conturbadas, aflitivas e destemperadas emoções.

Somos multidões de sofredores, abatidos pelo látego da dor e causticantes angústias. Muitos indignados e insurgentes não suportando viver no clima de luta e superação sucumbem ao peso dos desgostos e atentam contra a própria vida física.

Segundo informações da OMS estima-se que 800 mil pessoas suicidam-se anualmente em todo o planeta, ou seja, uma pessoa a cada 40 segundos. Essa é a segunda maior causa de morte em pessoas entre 15 e 29 anos, enquanto os idosos com mais de 70 anos são aqueles que mais frequentemente se tornam suicidas. [3]

A legitimidade do sofrimento é inegável em nosso carreiro evolutivo. Sofremos por fragilidade moral, desinteligência e várias vezes por deseducação religiosa. Não se pode mensurar uma dor, entretanto é preciso ajuizar na dimensão da tormenta que nos alcança.

O mal, que também é transitório, resulta do desvio de comportamento humano, o mal não tem raízes, não é da criação divina, inevitavelmente será erradicado e eliminado do comportamento do espírito depurado. O que a Lei divina prevê é um conjunto de medidas corretivas toda vez que ocorrer qualquer desvio. [4]

Somos seres fadados à plenitude e um dia poderemos afirmar tal qual o fez Jesus “Eu e o Pai somos um”, ficando a criatura humana encarregada de seu avanço ou retardo na marcha evolutiva, consoante preceitua O Livro dos Espíritos na questão 117, quando Kardec indagou aos Benfeitores: Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos rapidamente para a perfeição? Os Baluartes do além responderam que “Os Espíritos a alcançam mais ou menos rápido, conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão que testemunham à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais depressa do que outra recalcitrante?”

O amor de Deus é suficientemente grande, majestoso e incomensurável para dar-nos outras oportunidades de recomeço. Eis a lógica da reencarnação e a possibilidade de sermos perfeitos.

O número de suicídios no mundo aumentou, consideravelmente, fato que nos leva a refletir por que tanta desistência da vida? Tanta desesperança? Tanta fragilidade?
Respiramos na mesma atmosfera psíquica, os pensamentos negativos nos intoxicam, nos deprimem, nos contaminam. Mas onde está nossa vigilância? Esquecemos, por vezes, que é preciso ter coragem para combater o bom combate?

As lamentações agravam nossas perturbações, ampliam nossos desequilíbrios emocionais e intensificam nossas enfermidades. Não olvidemos que o Senhor não nos desampara!

Dor e sofrimento ainda são componentes em nosso processo evolutivo. A dor, enquanto sofrimento moral é a resposta da Lei divina aos que se atritaram com seus postulados reguladores do universo ético. [5]

Portanto, o sofrimento é o espelho de uma Lei incorruptível, produto oriundo do princípio de Causa e Efeito. A Lei jamais exige a reparação daquele que não errou nos caminhos múltiplos das existências. Entretanto, o clima de desespero, defecção e de abandono de nossas causas devem ser reprimidos.

Elevar o padrão mental continua sendo o remédio salutar ao alcance de todos. Nunca olvidemos que todo bem procede de Deus, mas cabe a cada um de nós buscarmos o lenitivo para os nossos sofrimentos através da prece, da ação prestativa no campo da caridade e do burilamento dos nossos sagrados sentimentos.

Somos de Deus e o Cristo nos adverte: “Brilhe a vossa luz”!

Coragem, meu filho! – assevera irmão Clarêncio e acrescenta – O Senhor não desampara!

Saibamos sofrer as intempéries com dignidade, pois “é possível estejas vendo tudo em derredor de teus passos pelo prisma do desespero… Entretanto, asserena-te e aguarda, confiante, porque, se a Misericórdia de Deus ainda não está alcançando o teu quadro de luta, permanece a caminho.” [6]

“E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia; ainda que haja trevas, será como a manhã”. [1] E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.

Aguardemos, confiando.

Jane Maiolo

Referências Bibliográficas:
[1] Bíblia de Jerusalém- livro de Jó – Cap. 11:17;
[2] XAVIER, Francisco Cândido. Nosso Lar , ditado pelo espírito André Luiz , cap.1- Brasília /DF: Ed FEB, 2007;
[3] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/09/140904_suicidios_brasilrg. Acesso em 11/11/2015;
[4] Miranda, Hermínio C. O evangelho de Tomé- Parte II cap3. Pag 206. Rio de Janeiro: Arte e Cultura-1991;
[5] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 117- Rio de Janeiro: Ed FEB, 2007;
[6] Idem item 4;
[7] Xavier, Francisco Candido. Palavras de vida externa , ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. 80, 17ª Edição , Uberaba/MG: Ed. CEC -1992.

Nota do Editor:
Imagem em destaque do Filme Nosso Lar, disponível em < https://renatoprieto.wordpress.com/galeria-de-fotos-de-nosso-lar/>. Acesso em 15/Nov/2015.

Jane Maiolo
Jane Maiolo

Professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Dirigente da USE Intermunicipal de Jales. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Espírita Brasil. Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita.

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