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Bases da educação para o homem do século 21

novembro 14, 2015

marcus-de-mario“O fim último da educação é a preservação da bondade e virtudes naturais do coração humano”
(Jean-Jacques Rousseau).

Para apresentação de nossa proposta educacional tomamos como base o documento “O que os estudantes precisam saber para serem bem sucedidos no próximo século”, um resumo da pesquisa realizada pela Associação Americana de Administradores Escolares junto a 55 especialistas de diversas áreas, feita no ano de 1997. De início seu conteúdo demonstra que o pensamento materialista e prático dos americanos está em nova fase, ou pelo menos assinalando essa nova fase, bem de acordo com a moderna corrente psicológica também daquelas terras: a preocupação com a ética e as questões de relacionamento interpessoal.

Psicólogos como Goleman e Gardner, trabalhando a chamada inteligência emocional, e diversos pesquisadores debruçando-se sobre as terapias alternativas, estão modificando pouco a pouco o pensamento americano, por isso não soa estranho lermos o primeiro parágrafo do documento a dizer que “pais, educadores e outras pessoas precisam preparar as crianças para serem bem sucedidas no mundo de amanhã, proporcionando a elas não somente competência técnica, mas aptidões e ética interpessoais também.” (grifos nossos).

Na primeira parte, dedicada ao “O que os estudantes precisam saber”, destacam-se os subtítulos “Habilidades pessoais e interpessoais” e “Adaptabilidade e flexibilidade”, quando os especialistas ressaltam que todo estudante precisa de:

¨ Auto-disciplina: a habilidade para agir com responsabilidade, aplicação de princípios éticos e estabelecer e avaliar metas;

¨ habilidades interpessoais críticas, incluindo falar, ouvir e habilidade para ser parte de um time;

¨ respeito pelo valor do esforço, entendimento da ética do trabalho e necessidade de contribuições individuais e autodisciplina; e

¨ estar entusiasmado sobre a vida e estabelecer metas para um aprendizado permanente.

Os americanos estão dizendo: é chegado o fim da era da competição, do cada um por si; o que vale mais agora é a cooperação, o respeito ao outro, a ética regendo o fazer na vida. Sintomas da globalização? Cremos ser mais do que isso. É a constatação social e individual do vazio existencial do ser humano com suas consequências dolorosas, dramáticas mesmo, reacendendo a luz que ilumina o caminho da espiritualização do ser. O pragmatismo está se rendendo ao lema revolucionário francês de igualdade, liberdade e, principalmente, fraternidade. Mas, é apenas um documento, esperanças de pessoas consideradas eminentes e que deram sua opinião. Entretanto, repetindo a citação encontrada no texto, do escritor Victor Hugo, “não há nada como um sonho para criar o futuro.”

É o sonho de uma nova escola, de uma nova educação.

Ainda o documento da Associação Americana de Administradores Escolares resume o pensamento dos especialistas quanto às “Habilidades e aptidões civis” que o homem do século vinte e um deve possuir, revelando-nos componentes ainda não presentes no ensino atual, como:

¨ Entender e praticar honestidade, integridade e a regra de ouro “tratar os outros como nós gostaríamos que fossemos tratados”.

¨ Entendimento e respeito por aqueles não semelhantes – a apreciação da diversidade.

¨ Capacidade de assumir maior responsabilidade por suas próprias ações.

Para que o homem possua as “habilidades e aptidões civis” acima descritas será necessário que as escolas e os lares forneçam-lhe a educação moral, e não apenas a instrução do intelecto, que hoje predomina no ensino ministrado à criança, ao adolescente, ao jovem e ao adulto.

Esse entendimento está presente no documento americano em sua segunda parte, “O que as escolas e pais podem fazer para preparar os estudantes para o século vinte e um”, e que podemos assim resumir:

Ações da Escola

¨ Despertar as capacidades de aprender de todos os estudantes através de promoção de aprendizagem ativa versus aprendizagem passiva.

¨ Proporcionar mais tempo para os estudantes e professores trabalharem em projetos do mundo real.

¨ Aumentar o envolvimento dos pais e da comunidade nas escolas.

¨ Fortalecer a autoridade e controle das escolas e professores.

Ações dos Pais 

¨ Trabalhar cooperativamente com os professores e a escola.

¨ Participar com ativo interesse nos trabalhos escolares dos filhos.

¨ Proporcionar um rico e estável ambiente de aprendizagem no lar.

¨ Ler para as crianças e com elas. ¨ Dedicar mais tempo qualitativo às crianças.

¨ Usar o melhor da TV e a deixar desligada para o resto. Fomentar habilidades.

¨ Ser o modelo de comportamento ético e moral e de tomada de decisão.

¨ Realçar a autoestima dos filhos com atenção e cuidado.

¨ Modelar e valorizar o conceito de aprendizado permanente.

Temos um belo programa de ação educativa, infelizmente distante da atual realidade, mas que pode perfeitamente ser implantado, desde que tenhamos, administradores, pais e professores, a boa vontade determinante, realizando planejamentos, experiências, desenvolvimento de práticas pedagógicas específicas e, acima de tudo, fazendo o esforço pessoal de entender e praticar o amor ao próximo.

O século vinte e um, como os demais, é formado por cem anos. A geração atual, exceções feitas, não logrará esse preparo sonhado, mas poderá entrar em prontidão para preparar a próxima geração que, ao final do primeiro século do terceiro milênio, estará então colhendo os primeiros frutos das ramagens verdejantes da educação moral.

É necessário a realização de debates e cursos de capacitação para professores e pais, assim como o estudo de novos programas educacionais baseados em aspirações mais elevadas, em ideais mais nobres de vida, a partir de uma visão espiritualista da vida.

Os americanos constataram que o ideal ainda é um sonho, mas nós brasileiros podemos torná-lo realidade, a partir do esforço do governo federal, na área de educação, e também das organizações não governamentais e das escolas.

De nossa parte estamos desenvolvendo esse esforço através do Projeto Educação Moral para Formação do Homem, que vem sendo desenvolvido pelo IBEM – Instituto Brasileiro de Educação Moral (https://ibemeducaead.com.br/), projeto esse que acreditamos ser o melhor caminho para combater a injustiça social, a corrupção, a miséria, a violência e os demais males que ainda caracterizam nossa sociedade, tendo em sua base a filosofia espírita da educação. Em nosso livro “Visão Espírita da Educação” (Editora O Clarim) igualmente desenvolvemos considerações e práticas sobre o tema abordado neste artigo.

Marcus De Mario

Nota do editor:
Imagem de projetos conduzidos pelo IBEM – Instituto Brasileiro de Educação Moral, disponível em <https://ibemeduca.com.br/>. Acesso em: 14NOV2015.

Marcus de Mario
Marcus de Mario

Escritor, Educador, Consultor e Expositor. Diretor Cultural da Fundação Cristã-Espírita Cultural Paulo de Tarso (Rádio Rio de Janeiro). Diretor do Grupo Espírita Seara de Luz (Rio de Janeiro, RJ). Editor do site Orientação Espírita. Diretor Geral do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM).

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