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Familiares e parentes!

novembro 11, 2015

francisco_rebouçasPor mais problemático que seja o nosso convívio com alguns dos nossos parentes mais difíceis, deveremos ter para com eles a mesma generosidade e compreensão que temos para com os demais. Na certeza de que as Leis de Deus não nos enlaçam uns com os outros sem causa justa, e que essa convivência para nós é necessária, positiva e importante experiência na aprendizagem da vida em busca da nossa tão sonhada ascendência moral.

O parente-problema é sempre um teste com que a vida nos examina e avalia o aprendizado no campo das virtudes do espírito imortal onde, muitas vezes, essas criaturas complicadas que nos fazem companhia no restrito grupo familiar, trazem consigo as marcas de sofrimento ou deficiências que lhe foram impostas por nós mesmos em passadas reencarnações. Com absoluta certeza não agimos para com elas de acordo com os ensinamentos cristãos, e por isso mesmo, estão de volta ao nosso convívio.

Não devemos de modo algum exigir dos familiares, que ora pensam e agem diferentemente do nosso modo de pensar e agir de hoje, um comportamento igual ao nosso. Porquanto cada qual se caracteriza pelas experiências boas ou más, negativas ou positivas que representam na atualidade para cada indivíduo as vantagens ou prejuízos que acumulamos na própria alma.

Nada justifica descartarmo-nos deles enviando-os para as casas de repouso, com internações, na maioria das vezes, desnecessárias. A forma de pagamento em tais casos não é com o dinheiro representado pela moeda corrente do país. A desvinculação real de nossos compromissos para com a Lei de Justiça e Amor só se dará no emprego do nosso árduo trabalho com boa-vontade e com sincero desejo de vê-los recuperados em seu equilíbrio e em sua paz, utilizando-nos para isso dos processos ensinados pelo doce Nazareno no “Amar ao próximo como a nós mesmos”, se quisermos lograr êxito na quitação dos próprios débitos ante a Vida Maior.

A parentela corporal e a parentela espiritual

“Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.

Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências. (Cap. IV, nº 13.)

Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual. Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa em a narração de São Marcos, que diz terem eles o propósito de se apoderarem do Mestre, sob o pretexto de que este perdera o espirito. Informado da chegada deles, conhecendo os sentimentos que nutriam a seu respeito, era natural que Jesus dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: “Eis aqui meus verdadeiros irmãos.” Embora na companhia daqueles estivesse sua mãe, ele generaliza o ensino que de maneira alguma implica haja pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada lhe era como Espírito, que só indiferença lhe merecia. Provou suficientemente o contrário em várias outras circunstâncias.”. (1)

É preciso entender que os conflitos do lar terrestre quase sempre foram dívidas que contraímos por atacado. E que o Soberano Criador nos concede a bênção de podermos quitar cada uma delas pelo sistema de suaves prestações por não dispormos, até a presente oportunidade, de valores suficientes para nos livrar com a mesma facilidade com que as contraímos no uso exclusivo do nosso livre arbítrio tendencioso e equivocado de outrora.

Francisco Rebouças

 

Referência:
1 – Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIV, item 8.CAPÍTULO XIV.

Francisco Rebouças
Francisco Rebouças

Pós-Graduado em Administração de Recursos Humanos, Professor, Escritor, Articulista de diversos veículos de divulgação espírita no Brasil, Expositor Espírita, criador do programa: "O Espiritismo Ensina".

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