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A influência do Espiritismo na Educação

setembro 26, 2015

A Doutrina Espírita considera que “só a educação poderá reformar os homens”, conforme a resposta dos Espíritos Superiores à pergunta de Allan Kardec, na questão 796 de “O Livro dos Espíritos”. E compreende que a educação não pode ser encarada apenas pelo seu lado instrucional, ou ilustração do intelecto, mas deve ser trabalhada pelo lado moral, na arte de manejar o caráter.

Definindo Moral
E o que é moral? Necessitamos de sua definição para entendermos a amplitude da educação moral.

O pensador e filósofo católico Jacques Maritain, em seu livro “Introdução Geral à Filosofia”, nos oferece a seguinte definição:

“Moral, ou ética – ciência prática que visa alcançar o puro simples bem do homem. Tem por objeto a bondade ou a perfeição do próprio homem. Ciência dos atos humanos.”

E completa essa definição com esta magistral frase: “A ciência moral deve ser acompanhada de prudência.”.

Como ciência, a moral deve:
a. saber o fim último ou o bem absoluto do homem;
b. estudar os atos praticados pelo homem;
c. estudar as questões relativas à lei natural;
d. compreender o mecanismo da consciência;
e. estudar as origens das virtudes e dos vícios.

Com relação à conduta do homem deve estudar as regras que ordenam sua conduta no que concerne ao seu próprio bem e no bem de outrem, para o pleno equilíbrio da justiça.

Sendo uma ciência, moral não é um termo vago, nem se confunde com moralidade, que designa o conceito social do que é aceito ou não em certa época, e que se modifica com o tempo e os costumes.

Informa-nos “O Livro dos Espíritos”, obra básica do Espiritismo, que “a moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”.

Essa definição está na questão 629 e antecede no tempo a definição filosófica que demos no início deste artigo, mostrando como o Espiritismo complementa as diversas áreas do conhecimento humano.
A educação moral consiste na formação do caráter do educando através de um ensino que prioriza a prática do bem, a valorização das virtudes e a aquisição do sentimento do amor.

A educação moral não relega a inteligência ao segundo plano, pelo contrário, dela se utiliza, para que o educando saiba distinguir entre o bem e o mal, equilibrando os dois fatores básicos da educação, ou seja, a inteligência e o sentimento, o intelecto e o coração.

A educação do espírito

Além de considerar a educação moral como legítima formadora do homem, o Espiritismo ainda vai mais além ao quebrar o materialismo com a comprovação da imortalidade da alma, lançando as bases da educação do espírito. Por esses motivos é que o Espiritismo, lançando seu olhar sobre as escolas, preconiza uma nova metodologia educacional em três pontos principais:

1. educação com amor;
2. educação com exemplo;
3. educação com experiência própria.

A conjugação de todos esses princípios na educação moral é o único caminho capaz de colocar o homem nos trilhos da bondade, reformando as instituições sociais, hoje tão atreladas ao egoísmo que se enraíza nos corações.

Enquanto a família e a escola não entenderem a profundidade da educação moral, continuaremos no desfile dos desregramentos que temos assistido, quando, se aplicada, a educação moral estabelece a desejada felicidade, por formar homens de bem, objetivo do próprio Espiritismo.

A reforma da filosofia que rege o sistema educacional vigente, com a absorção da educação moral, levará os currículos e métodos escolares ao verdadeiro fim superior da formação, e não da instrução. Formação do caráter através da aquisição de hábitos sadios de vivência com Deus, com o próximo e consigo mesmo, na prática do bem e do amor.

Uma escola que executa seu trabalho baseada na educação moral é legítima extensão, complemento mesmo da família, tornando-se um lar que abriga consciências reencarnadas reclamando diretriz segura para o uso da inteligência e o desabrochar das qualidades do sentimento.

O Espiritismo, pois, fundamenta e indica a educação moral para renovação do ser humano e estabelecimento da era do espírito.

Conclusão

Não se pode negar a vasta e profunda contribuição que o Espiritismo oferece à educação, mas precisamos estar atentos para a advertência de Leon Denis:

“É necessário que uma grande corrente idealista e um poderoso sopro moral varram as sombras, as dúvidas, as incertezas que ainda existem sobre muitas inteligências e consciências, a fim de que a luz das verdades eternas aclare os cérebros, aqueça os corações, levando conforto aos que sofrem. A educação do povo precisa ser totalmente modificada, para que todos possam ter a noção dos deveres sociais, o sentimento das responsabilidades individuais e coletivas e, principalmente, o conhecimento do objetivo real da vida, que é o progresso, o aperfeiçoamento da alma, o aumento de suas riquezas íntimas e ocultas.” (“O Mundo Invisível e a Guerra”, 1ª ed., CELD, 1995).

Essa advertência foi escrita durante o período de 1914-1918, quando da primeira grande guerra mundial e mostra-se ainda bastante atual, ou seja, quase cem anos não foram suficientes para despertarmos e colocarmos a filosofia espírita em plena realização na vida. Por que esperar mais tempo?

Marcus de Mario

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://semear-frutos.blogspot.com.br/2011/07/preste-atencaoleia-bem-devagarinho-vale_27.html>. Acesso em 26SET2015.

Marcus de Mario
Marcus de Mario

Escritor, Educador, Consultor e Expositor. Diretor Cultural da Fundação Cristã-Espírita Cultural Paulo de Tarso (Rádio Rio de Janeiro). Diretor do Grupo Espírita Seara de Luz (Rio de Janeiro, RJ). Editor do site Orientação Espírita. Diretor Geral do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM).

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