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Reflexões sobre a Amizade

julho 4, 2015

wellington-balbo“O homem sente as primícias da felicidade na Terra quando se encontra com almas que pode desfrutar uma união pura e santa.”¹

O codificador está repleto de razão, se pararmos para uma observação em nossa vida, constataremos que os momentos mais felizes de nossas existências foram ao lado dos amigos, sejam reais, virtuais que também são reais. Ninguém é feliz sozinho.

Temos a necessidade de compartilhar nossas alegrias, conquistas, derrotas, vitórias e, claro, fazemos isso com os amigos. Como diz o povo: Quem tem amigo não morre pagão!

E mais uma vez Kardec captou com maestria essa necessidade humana. Mas diante do número estrondoso de gente decepcionada com a outra, de gente que fala assim: “Ah, ele não era aquilo que esperava! Ou: Puxa, não sabia que você era desta forma! Ou ainda: Era um lobo que estava em pele de cordeiro!” – Decidi fazer minha reflexão sobre a amizade, os amigos e o que podemos esperar deles. Sim, claro, porque é fundamental para uma relação saudável sabermos o que esperar dos amigos. Não posso, ou melhor, não devo considerar que os amigos podem tudo e estarão conosco para sempre. Esta ideia é que causa a decepção em relação aos outros e nos faz ficar muitas vezes sozinhos, sem ter com quem conversar, compartilhar, dividir.

Primeiro e óbvio passo é compreender que nossos amigos estão na Terra, planeta de provas e expiações. Esse conhecimento por si só elimina a ideia de que são santos, anjos e não cometerão erros. Conscientes disso já podemos entender que nossos amigos em algum momento não corresponderão às nossas expectativas, mas ainda assim serão nossos amigos. Essa concepção vai livrar-nos da desilusão e de perdermos uma boa amizade.

Depois é fundamental entendermos que estamos todos, nós e nossos amigos, evoluindo juntos, crescendo, aprendendo, progredindo, portanto, menos carga no ombro deles, mais leveza nas relações.

Por isso considero muito importante nossa reflexão sobre a amizade e os amigos até para não sermos injustos com eles. E, repito para que possamos entender: Muitas vezes colocamos uma carga pesada demais nos ombros dos amigos e eles, claro, são seres humanos, falham e o resultado é aquela velha decepção com as pessoas… Lá se vai uma boa amizade embora…

Compreendamos: Até há amigos para todas as horas, todos os momentos, mas são raros os casos, muito raros. Penso que ainda temos uma visão muito romântica das coisas, mais ou menos assim: Esse cara não erra, é amigo pra toda hora e, portanto, viveremos felizes para sempre… e por ai vai…

Mas não é bem assim.

Há amigos, por exemplo, que compartilham apenas as horas de alegria, outros gostam de estar na tristeza ao nosso lado… Outros são amigos que nos socorrem em dificuldades financeiras, outros não servem pra isso, mas nos dão suporte emocional… Outros são bem prestativos, mas não gostam muito de prosa, de sair, enfim…

O que quero dizer com essa conversa sobre amizade? Quero dizer que nas amizades devemos ser um pouco mais racionais e menos emocionais até para não perdermos um grande e verdadeiro amigo, mas que tem suas limitações e não estará conosco em todas as horas… Porém, nem por isso deixa de ser um bom amigo, que podemos passar horas, dias e momentos de muita felicidade ao seu lado… Menos peso nos outros, mais alegria e compreensão nas relações e desfrutaremos, como diz Kardec, de um pouco de felicidade aqui na Terra, ainda como encarnados e ao lado dos amigos.

Wellington Balbo

Referências Bibliográficas
[1] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. F.E.B. 76ª edição.

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://www.folhadecampinas.com.br/portal/wp-content/uploads/2014/07/amizade.jpg>. Acesso em 04JUL2015.

Wellington Balbo
Wellington Balbo

Professor universitário, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática, Escritor e Palestrante Espírita com seis livros publicados: Lições da História Humana; Reflexões sobre o mundo contemporâneo; Espiritismo atual e educador; Memórias do Holocausto (participação especial); Arena de Conflitos (em parceria com Orson Peter Carrara); Quem semeia ventos... (em parceria com Arlindo Rodrigues).

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