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I Parte – Tentações

fevereiro 10, 2015

antonio_carlos_navarroPretendemos, em três ensaios, refletirmos sobre as tentações sofridas por Nosso Senhor Jesus Cristo, narradas pelo evangelista Mateus no capítulo quatro de seu evangelho.

Tentar, segundo o dicionário (1), significa: “Por alguém à prova, instigando-o ao erro, ao mal”, e Tentação: “Ato ou efeito de tentar”.

Precisamos, inicialmente, e para efeito de clareza, definirmos qual é a condição espiritual do Senhor Jesus, que como Messias anunciado séculos antes de Sua vinda ao planeta, deveria ser confirmado como tal pela doutrina que traria, e também pelas obras que realizaria.

Buscando o conteúdo de “O Livro dos Espíritos”, encontramos:

Questão 625 – Qual é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo? E os Benfeitores respondem “Jesus”.

Em sequência à resposta, o Codificador tece, entre outras coisas, o seguinte comentário:Deus nos oferece Jesus como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque era o próprio Espírito Divino e foi o ser mais puro que apareceu na Terra.”

Quando, para efeito didático, Allan Kardec elabora, com a orientação dos espíritos encarregados da Codificação, a Escala Espírita, constantes do item cem, ainda de “O Livro dos Espíritos”, fica estabelecido que os espíritos, segundo suas condições morais, poderiam ser divididos em três categorias, sendo que “Os da primeira categoria atingiram o grau supremo da perfeição: são os Espíritos puros”.

Com base nessas anotações, podemos concluir que a perfeição moral do Senhor Jesus está estabelecida claramente na Codificação, e de forma inquestionável.

A respeito da hierarquia e autoridade entre os espíritos, Kardec elaborou as seguintes perguntas, inserindo-as em “O Livro dos Espíritos”:

274 – As diferentes ordens de Espíritos estabelecem entre eles uma hierarquia de poderes? Existe entre eles subordinação e autoridade? – Sim, muito grande. Os Espíritos têm uns para com os outros uma autoridade relativa à sua superioridade, que exercem por uma ascendência moral irresistível.

274 “a” – Os Espíritos inferiores podem escapar da autoridade dos superiores?
– Eu disse: irresistível.

Do exposto até aqui fica claro que não houve, não há, e nunca haverá, a possibilidade de um espírito tentar outro que esteja acima de sua condição moral, e que as tentações sofridas pelo Senhor Jesus devem ser vistas como oportunidades de reflexão diante das possibilidades de uso do livre arbítrio.

A participação dos espíritos em nossas vidas, com suas tentações, está equacionada pela Doutrina Espírita desde as seguintes perguntas de “O Livro dos Espíritos”:

459Os Espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?
– A esse respeito, sua influência é maior do que podeis imaginar. Muitas vezes são eles que vos dirigem.

465Com que objetivo os Espíritos imperfeitos nos conduzem ao mal?
– Para vos fazer sofrer como eles.

465 “a” – Isso diminui seus sofrimentos?
– Não, mas fazem isso por inveja, por saber que há seres mais felizes.

466Por que Deus permite que Espíritos nos excitem ao mal?
– Os Espíritos imperfeitos são instrumentos que servem para pôr à prova a fé e a constância dos homens na prática do bem. Vós, como Espíritos, deveis progredir na ciência do infinito, e por isso passais pelas provas do mal para atingir o bem. Nossa missão é vos colocar no bom caminho e, quando as más influências agem sobre vós, é que as atraístes pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm vos auxiliar no mal, quando tendes a vontade de praticá-lo; eles não podem vos ajudar no mal senão quando quereis o mal.

Se sois inclinados ao homicídio, pois bem! Tereis uma multidão de Espíritos que alimentarão esse pensamento em vós. Mas tereis também outros Espíritos que se empenharão para vos influenciar ao bem, o que faz restabelecer o equilíbrio e vos deixa o comando dos vossos atos.

* É assim que Deus deixa à nossa consciência a escolha do caminho que devemos seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.

Concluímos esta primeira parte com material suficiente para começarmos a refletir nas tentações a que somos submetidos em nosso dia a dia.

Pensemos nisso.


Antonio Carlo Navarro

 

Referências:
(1)   Mini Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa, 7ª Edição, Julho de 2009.

Nota do editor:
Os artigos de Antonio Carlos Navarro são publicados todas as terças-feiras.
Nos próximos dias alocados será dada continuidade a este estudo, o qual foi dividido em três partes.
Não deixe de ler a sua continuação na próxima terça-feira, dia 17 de fevereiro de 2015, em sua Agenda Espírita Brasil.

Imagem em destaque:
Disponível em <http://cleofas.com.br/nao-submeter-deus-a-si-e-aos-proprios-interesses/>. Acesso em: 10FEV2015.

Antônio Carlos Navarro
Antônio Carlos Navarro

Estudioso e palestrante espírita. Trabalhador do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP

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