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A Dor

janeiro 28, 2015

antonio_carlos_navarro“Infelizmente, não vejo senão o caminho do sofrimento para modificar tão desoladora situação” disse o Senhor Jesus a Helil, quando de Sua visita à Terra, há pouco mais de seiscentos anos, ao visualizar a condição humana e seus comportamentos desditosos.

A narrativa é de Humberto de Campos na monumental obra Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho, ditada à Francisco Cândido Xavier.

Na oportunidade, o Senhor visitava o Oriente Médio, berço do Seu Evangelho de amor e luz, e embora houvessem passados quase catorze séculos desde a crucificação do Divino Mestre, o coração humano ainda não havia se tornado melhor.

E até hoje recrudesce na natureza humana o egoísmo, o orgulho, a ignorância, e todas as mazelas espirituais decorrentes dessas enfermidades maiores.

Qual a solução para tal situação? Não tem o espírito imortal que se desenvolver até atingir sua plenitude na perfeição relativa?

Na pergunta de número setecentos e oitenta e três de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questionou os Benfeitores Espirituais: “O aperfeiçoamento da humanidade segue sempre uma marcha progressiva e lenta?” e a resposta é reveladora: “Há o progresso regular e lento que resulta da força das coisas; mas quando um povo não avança rápido o suficiente a Providência provoca, de tempos em tempos, um abalo físico ou moral que o transforma.”

O ditado popular diz que “quem não vai pelo amor, vai pela dor”, portanto, abalo físico ou moral significa indução, seja para um povo, ou para uma pessoa, por parte da Providência Divina, para o progresso de nossos espíritos, respeitando-se, naturalmente, a Lei de Justiça, Amor e Caridade, que garantirá a cada um segundo suas obras.

No dizer de Um Espírito Amigo, em mensagem intitulada “A Paciência” inserida em O Evangelho Segundo o Espiritismo, A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos. Não vos atormenteis, portanto, quando sofrerdes, mas, ao contrário, bendizei a Deus Todo-Poderoso que vos marcou pela dor neste mundo, para a glória no Céu.”

A compensação pelo bem sofrer está garantida nas Bem Aventuranças.

O Benfeitor Emmanuel foi questionado a respeito da dor em o livro “O Consolador”, também ditado a Francisco Cândido Xavier, conforme a questão duzentos e trinta e nove: “Entre a dor física e a dor moral, qual das duas faz vibrar mais profundamente o espírito humano?” E o Sábio Instrutor respondeu: “Podemos classificar o sofrimento do espírito como a dor realidade e o tormento físico, de qualquer natureza, como a dor-ilusão.”

Em verdade, toda dor física colima o despertar da alma para os seus grandiosos deveres, seja como expressão expiatória, como consequência dos abusos humanos, ou como advertência da natureza material ao dono de um organismo.

Mas, toda dor física é um fenômeno, enquanto que a dor moral é essência.

“Daí a razão por que a primeira vem e passa, ainda que se faça acompanhar das transições de morte dos órgãos materiais, e só a dor espiritual é bastante grande e profunda para promover o luminoso trabalho do aperfeiçoamento e da redenção.”

A resposta, por si só, é esclarecedora e não necessita maiores comentários.

Convém, portanto, aprendermos com a dor, sem espalhá-la ao nosso redor, e sempre alimentando a esperança em dias melhores, desenvolvendo e fortalecendo os valores do espírito, que sobrevive, por ser imortal, conquistando assim uma condição cada vez mais feliz e livre das necessidades de provas e expiações.

Pensemos nisso.

Antonio Carlos Navarro

Imagem em destaque disponível em <http://romulogondim.com.br/chorar-faz-bem-as-lagrimas-libertam-o-corpo-e-a-alma/>. Acesso em: 28JAN2015.

Antônio Carlos Navarro
Antônio Carlos Navarro

Estudioso e palestrante espírita. Trabalhador do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP

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