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Sobre o tempo…

janeiro 9, 2015

marcio_costa_300x300É interessante como no do final de ano frases como “o tempo voou”, “nem vi passar o ano”, “parece que foi ontem” repetem-se em nossos círculos. A percepção é de que a cada ano o relógio acelera seus ponteiros e temos menos oportunidades de fazer o que fazíamos antes.

Neste contexto, recordo-me das gerações anteriores que deixaram nos meus olhos de criança impressões muito agradáveis de como o tempo era dosado. Naquela época era comum parentes visitarem-se com frequência. Em domingos ou feriados todos se reuniam, permitindo aos irmãos e primos compartilharem as suas brincadeiras. Havia uma interação maior entre todos. O dia começava cedo e se estendia por uma longa manhã até a chegada da hora almoço. A tarde parecia interminável. Havia tempo para o descanso e ainda o que restava era suficiente para atender todas as demandas de criança antes da despedida dos parentes.

Mesmo que o exemplo anterior seja o de um caso singular, notadamente há um ponto em comum entre este exemplo e de tantos outros que o leitor possa nos lembrar. Naquela época não existiam tantos meios de comunicação como existem hoje. Cinquenta anos atrás, a televisão nem sempre ficava ligada a todo instante exibindo o seu conteúdo em uma tela preto-e-branca. Ela podia esquentar e queimar suas válvulas. E, ainda, alguns nem sequer possuíam condições de adquiri-las. O telefone, para os afortunados, era uma peça fixa em um banquinho da casa e não possuíam a capacidade de criar lacunas entre conversas como fazem os IPhones e tablets hoje em dia.

É claro que não queremos com isso defender ideias nostálgicas e negar o que a Lei do Progresso nos proporcionou nos últimos anos. A marcha do Progresso “é uma força viva, cuja ação pode ser retardada, porém não anulada”, conforme atesta a pergunta número 781 de O Livro dos Espíritos. Logo, é inevitável que caminhemos adiante aumentando o nosso conhecimento intelectual. Porém, sem esquecermos de aplicá-lo adequadamente para não estagnar o progresso moral.

Voltando a questão do tempo, o fato é que a dinâmica do mundo atual incorporou tantos recursos e facilidades nos últimos anos, que para o homem moderno o tempo parece ter encurtado frente às imensas possibilidades.

Mas em verdade, o tempo continua o mesmo.

De acordo com o livro “A Gênese”, em seu Capítulo VI, “Uranografia Geral”, “o tempo (do primeiro ao último dia de um planeta) é uma gota d’água que cai da nuvem no mar e cuja queda é medida”. Ou seja, se todo o período de existência da Terra equivale a uma suave gota que se perderá na eternidade do universo, o que poderemos dizer dos poucos anos que passamos encarnados?

Em realidade o pouco se torna muito. A cada encarnação aprendemos com os nossos erros, evoluímos e nos depuramos dos resgates contraídos. Cada momento é importante para compor as páginas de nossa evolução. Mesmo que o nosso veículo atual, a Terra, encerre sua existência daqui a milhões de anos, nós continuaremos pela eternidade levando no cerne de nosso Espírito aquilo que lapidamos em nossa breve passagem pelo maravilhoso orbe azul.

Se ontem tínhamos mais tempo e hoje temos menos é porque, sem dúvida estamos empregando cada vez mais os nossos preciosos instantes encarnados em atividades, as quais nem sempre se alinham aos ideais da fraternidade e do amor.

Temos tempo para atender o IPhone ou responder uma mensagem, mas esquecemos de dizer o quanto o próximo ao nosso lado é importante para nós. O assunto se resume ao: – “o que você disse mesmo?” Temos tempo de nos arrumar para ir ao trabalho, pegar o meio de transporte, mas não temos tempo de cumprimentar o zelador do prédio em que moramos. Temos tempo para ler o jornal, mas não temos tempo para atender ao filho que nos chama para brincar. Temos tempo para ficar na internet, mas não temos tempo conversar com a esposa/o e saber como foi o dia. Ou seja, das gerações anteriores até às atuais o tempo não mudou sua marcha. Nós é que mudamos a forma de lidar com ele.

Com a chegada de um novo ano, renovam-se nossas esperanças de fazermos muitas coisas com o tempo que se tem. Mas o que importa realmente é como empregaremos o nosso precioso tempo. Assim, querido leitor/a, aceitemos o convite de refletir antes de agir. Valorizemos cada momento encarnado. Transformemos o tempo disponível em oportunidades fraternas e de caridade. “Vivendo no mundo sem ser do mundo”, organizemos nossas tarefas de forma que nossas atividades profissionais e acadêmicas possam ser úteis à evolução de todos. Se o tempo foi supostamente perdido, reconstruamos as oportunidades de amor e de trabalho…

Por fim, e acima de tudo, inspiremo-nos no amor incondicional do Modelo e Guia da humanidade. Agindo desta forma certamente não chegaremos ao final de mais um ano com a sensação de tempo perdido.

Márcio Martins da Silva Costa

REFERÊNCIAS:
KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004.
KARDEC, Allan. A Gênese. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004.

 

Imagem em destaque disponível em <https://prezi.com/5m_ks-mqnx0p/as-maos-manuel-alegre/>. Acesso em: 9JAN2015.

 

Márcio Costa
Márcio Costa

Membro do Conselho Editorial da Agenda Espírita Brasil, atua na divulgação da Doutrina Espírita escrevendo textos e realizando palestras.

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