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Inferno e Purgatório

janeiro 8, 2015

richard-simonetti-menor1 – O Espiritismo admite a existência do inferno?
Não como um local geográfico. Trata-se de um estado de consciência. Jesus dizia que o Reino de Deus está dentro de nós. O inferno também. Depende do que fazemos e pensamos. Não obstante, se reunirmos vários Espíritos atormentados pela consequência de suas ações, onde estiverem será um inferno.

2 – E quanto aos tormentos de fogo, as almas perenemente devoradas pelas chamas, sem se consumirem?
Trata-se de uma interpretação ao pé da letra, envolvendo textos evangélicos. Jesus referia-se ao fogo para representar os sofrimentos morais das almas comprometidas com o mal, ao retornarem à vida espiritual. Nos círculos mais esclarecidos, em vários segmentos do Cristianismo, não há nenhuma dúvida de que estamos diante de um simbolismo.

3 – Os antigos situavam o inferno no interior da Terra. Há Espíritos por lá?
Os mentores espirituais falam de regiões abismais, habitadas por seres atormentados, em face dos crimes cometidos durante a existência. Suas penas, entretanto, não têm o caráter de perenidade. Ali permanecem como doentes em tratamento de choque para que se lhes desperte a consciência, habilitando-os à renovação.

4 – Seria uma espécie de purgatório?
Sim. É uma ideia mais compatível com a Doutrina Espírita e com a Justiça Divina. A própria Terra, considerada planeta de provas e expiações, habitado por Espíritos orientados pelo egoísmo, é um purgatório. Aqui, dores e dissabores desbastam nossas imperfeições mais grosseiras.

5 – Esses sofrimentos são impostos pela justiça divina?
São impostos por nossa própria consciência. Fomos programados para o Bem. O exercício do mal é uma agressão que fazemos a nós mesmos. A partir daí, onde estivermos levaremos o nosso purgatório, até que nos ajustemos às leis divinas.

6 – Funciona o arrependimento?
Na Terra ou no Além, o arrependimento, a consciência dos males que praticamos, aquele cair em si, a que se refere Jesus na Parábola do Filho Pródigo, é o primeiro passo para que o Espírito deixe o purgatório.

7 – Por que o primeiro passo? Não é isso que Deus espera de nós?
O arrependimento é uma abençoada mudança de rumo nos descaminhos em que nos envolvemos, mas há que se retornar à estrada principal. Isso demanda esforço de renovação, reparação dos prejuízos causados ao próximo. Ainda na parábola, o exemplo perfeito. Após cair em si, o filho pródigo teve longa jornada pela frente, no retorno à casa paterna.

8 – Digamos que o Espírito em tormentos purgatoriais, caindo em si, reconheça-se tão miserável, tão comprometido, em face dos males praticados, que não se sinta merecedor da misericórdia divina. Não estaria justificado o tormento eterno, não por imposição de Deus, mas por imperativo de sua própria consciência?
Seria a negação da Onipotência Divina. Deus, o Senhor Supremo do Universo, que nos criou para a perfeição, revelaria lamentável incompetência, se não conseguisse demover um filho da louca ideia de submeter-se a injustificável sofrimento perene, sem cogitar da própria redenção. Ouvi, certa feita culto sacerdote admitir que o inferno irremissível era para ele apenas uma hipótese. Não acreditava que alguém ficasse lá para sempre.

Richard Simonetti

Richard Simonetti IN MEMORIAM
Richard Simonetti IN MEMORIAM

Richard Simonetti é de Bauru, Estado de São Paulo. Nasceu em 10 de outubro de 1935 e Desencarnou em 03 de Outubro de 2018. De família espírita, participou do movimento desde os verdes anos, integrado no Centro Espírita Amor e Caridade, onde desenvolveu largo trabalho no campo doutrinário e filantrópico. Orador e Escritor espírita, teve mais de cinquenta obras publicadas.

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